idílio paulistano





somente os pássaros nos quintais
do morumbi cagam a burguesia pau
lista que sempre parece tão distante
em suas ocas rebocadas pelo lucro
das fábricas e pelos suores que dês
cem a consolação no coletivo para
lamber pipocas no ibirapuera


sampa concentra as uvas do estio
nas madrugadas de poemas restritos
ao delírio


(que frio)


(do livro Texto Sentido, Ed. Bagaço-PE, 2007. Lau Siqueira)


MONOBLOCO
A vida não vale o arrepio do que se estende além do delírio. Não vale o pio e o extravio das lentes no escuro do espelho que nada reflete além do próprio aço. A vida não vale o improviso, o riso tosco das horas mortas. A vida não vale o escárnio, o malfazejo, o estribilho esquecido da canção retida na morbidez da glória. A vida, ensinamento e partida, rumor e rito de partida. Tambor rufando a mesma sempre despedida.


AGOSTO DAS LETRAS
Um evento de literatura em João Pessoa que vai ser show. Começa a tomar forma o Agosto das Letras. Cometa leituras, cometa poesia, cometa-se. Na coordenação de literatura da Fundação Cultural de João Pessoa, o grande poeta André Ricardo Aguiar. Na direção geral, o também poeta Chico Cesar.


SALÃO DO LIVRO DO PIAUÍ
O 8º Salão do Livro do Piauí (SALIPI) acontece de 31 de maio à 6 de junho, em Teresina. Na palestra de abertura pretende ressaltar a importância do escritor piauiense Fontes Ibiapina para a literatura regional e nacional. O Piauí gerou nomes como Torquato Neto, Mário Faustino e outros. Em setembro teremos o Salão do Livro da Paraíba.


MANOEL DE BARROS
“Preciso atrapalhar as significâncias. O despropósito é mais saudável que o solene”, diz Manoel de Barros, um poeta que descobriu a inventividade na interação com o que ele chama de “criançamento da palavra”.


POEMA DE HILDA HILST




O Tempo e sua fome
Volúpia e Esquecimento
Sobre os arcos da vida.
Rigor sobre o nosso momento.

O Tempo e sua mandíbula.
Musgo e furor
Sobre os nossos altares.
Um dia, geometrias de luz.
Mais dia nada somos.


Tempo é humildade.
Nossos nomes. Carne
Devora-me, meu ódio-amor.
Sob o clarão cruel das despedidas.


(XXX, do livro Cantares, da paulista de Jaú, Hilda Hilst)

Comentários

Assis Freitas disse…
O José Ribamar (Ferreira Gullar), o homem do Poema Sujo, também é do Piauí. A gosto das letras deve ser um evento porreta, como tudo que vi por aqui em matéria de poesia. abraço
Entre rodopios, sinuosidades, faz-se de singularidades. Puro requinte poético. Abração, Lau. Convido-o para conhecer o meu

www.cinzasdiamantes.blogspot.com

Abraço bom,
Antonio Nahud Júnior
Isabella Nucci disse…
seus poemas são originais, não possuem clichês e passam inspiração à quem os lê... Pelo menos para mim :)
Isabella Nucci disse…
Seus poemas são originais, não possuem clichês e passam inspiração à quem os lê... Pelo menos para mim :)
ronald augusto disse…
beleza, lau! passei pra matar a saudade do blog. você sempre ligado.

abraços.
Isabella Nucci disse…
adorei a poesia do idílio paulistano... Soa inteligencia e talento!
susannah disse…
A vida, "um tambor rufando a mesma sempre" e eterna "despedida". Só a poesia para dizer isso como um tapa na cara da gente, não é meu amigo? E a mão do poeta é mais pesada do que a própria realidade: diz o tempo como mandíbula que devora "sob o clarão cruel das despedidas". Às vezes a gente precisa se entregar com humildade a essa violência das palavras; somente elas para a gente mergulhar na realidade e sair dela com o coração repleto de utopias.
Bjs! na sua poesia...
Sidnei Schneider disse…
legal, lau. sempre bom saber de meopas, como diria cortázar, novidades e opiniões. abração

Postagens mais visitadas deste blog