sábado, 1 de maio de 2010

o galo





o silêncio
com suas equações
................de estrelas
abre os portais
da madrugada


sob os olhos atentos
do infinito
um quarto de lua
empresta a partitura
ao galo

(Lau Siqueira, do livro Sem Meias Palavras, 2002, Ed. Idéia)

FANTASIAS DE UM CARPINTEIRO
Estabeleci algumas metas para que o meu livro, Poesia Sem Pele, possa ser lançado no final de 2010. Até agosto ou setembro, devo estar com a seleção de poemas concluída. Mais que isso: devo ter trabalhado todos os poemas que ainda carecem de reparos, de certo sacolejo de lixa nas sobras da linguagem. Uma vez prontas as esculturas, o produto geral segue para a marcenaria de Tânia Miranda que vai trabalhar a programação visual e gráfica. Finalmente irá para a casa das máquinas. Espero que os primeiros dias de dezembro (primeira quinzena) sejam os mais adequados para o lançamento.

(DES) ORGANIZAR O LIVRO
Não gosto de organizar os poemas no livro. Não vejo sentido em separá-los por alguma definição temática. No meu caso, seria contraditório. Não tenho apego aos temas. Acho que poesia é forma e forma é conteúdo, como bom e declarado herdeiro dos concretos. Ainda que a preocupação com a forma, tantas vezes, seja secundária. Não quero perder a espontaneidade da poesia e acho que os poemas devem ser organizados dentro do livro, livremente. Portanto, será mais uma coletânea de poemas livres. Algo muito comum, sem pretensões, mas ciente da sua necessidade de acontecer. Publicar, para o poeta, é manter viva a sua identidade.

POR QUE PUBLICAR?
Antes da internet, talvez, a publicação de um livro fosse o preço do ingresso no universo imenso e delicado da literatura. No entanto, agora, não. As pessoas encontram muito mais poesia na net que nas livrarias. Na internet a poesia se firmou como produto antimercado, mas altamente popular. Já repararam na quantidade de blogs de poetas? No entanto, algum mistério, algum fetiche, algum desejo permanece intacto nos poetas. Como se fosse o dia do lançamento de um livro de poemas, um dia sagrado, um dia de celebração. E é um dia de celebração!

AS PENAS DA PUBLICAÇÃO
Poesia Sem Pele será meu quinto livro. Para mim (e para a maioria dos poetas) nunca foi fácil publicar. O primeiro teve a contribuição financeira do meu irmão. Não vendeu muito, mas até que conseguiu boa repercussão. O segundo vendeu bem no lançamento e repercutiu bem. O terceiro, também. Já o quarto, lançado em 2007, vendeu bastante (antes, durante e depois do lançamento), mas não teve grandes repercussões. Apesar disso, vem sendo estudado na cadeira de Teoria da Poesia, na UFPB. Isso tudo ajuda na tentativa de publicação que, para mim, deixou de ser um risco. Tenho conseguido vender o suficiente para pagar a edição e isso, convenhamos, é um puta dum incentivo.

A RECUSA DAS LIVRARIAS
Meu quarto livro, Texto Sentido, não freqüentou livrarias. Vítima de algumas desovas acabou sendo incluído no acervo de alguns sebos. Mas, não vejo mais sentido algum de deixar livros em consignação. É tempo perdido. A maioria dos livreiros gosta de vender livros de poesia, mas não gosta de pagar. E realmente, em livrarias poesia vende muito pouco. Livros em consignação recebem as prateleiras mais descabeladas e acompanham-se, geralmente, de muita poesia ruim. Um fato que, convenhamos, espanta o leitor mais atento. Portanto, aqui no blog terei meu espaço definitivo de vendas, mais uma vez. As pessoas encomendam, eu forneço um número de conta, as pessoas depositam e recebem em casa. Vendi muito mais livros aqui no Poesia Sim do que venderia em livrarias.

ENTREVISTANDO-ME
Este post ficou bem engraçado. Parece que estou me entrevistando. Aliás, soube que um poeta andou se entrevistando para o jornal onde era ele o editor. Achei ótima a idéia! Aguardem uma presepada semelhante em algum post do Pele Sem Pele, meu outro blog (www.lau-siqueira.blogspot.com). Só que no meu caso, vou assinar as perguntas e as respostas.

POEMA DE TANUSSI CARDOSO



Faca é faca
pão é pão
fome é fome

amor é amor.


Estranho desígnio das coisas
de serem exatamente elas
quando olhamos sem paixão.

(Substantivos. Poema de Tanussi Cardoso, poeta do Rio de Janeiro. Do livro 50 poemas Escolhidos Pelo Autor. Edições Galo Branco-RJ)

6 comentários:

susannah disse...

Escrever é uma aventura dentro da gente, é devastar todos os sentidos para retirar a pele das palavras e trazê-las em sua nudez primordial. Há trabalho e muito nisso. Seu "entrevistando-me" ou "entrevendo-me no risco" apresenta um poeta que se expõe como se desnudasse pela primeira vez. Uma poesia sem pele, nua, sem trapaças, honesta na sua trama de palavras. O livro nos aguarda...
Bjs!

Canto da Boca disse...

Diante de tantas belezas aqui vislumbradas e engolidas - sim, eu engulo poemas, é assim que eu me alimento - o domingo se transfigura em tantos outros sentidos...

;)

Adriana Karnal disse...

Lau,
Adoro sua poesia, okhar as coisas sem paixão dá poesia, por aqui...rs

Valeska Asfora disse...

Lau,publica novamente "Os Colibris"...

BAR DO BARDO disse...

Boas dicas!

:)

adazani disse...

Querido, querido, querido amigo,

Acho da maior importância que os poemas, ainda que divulgados na internet, sejam publicados. É sim um fetiche, não só para o poeta, mas sobretudo, para nós, leitores e leitoras. É um prazer que só quem verdadeiramente ama literatura consegue sentir: Os dedos que folheiam curiosos e ansiosos cada página, percorrendo com pressa e depois voltando a fazê-lo com calma e carinho; o cheiro do papel recém impresso, a sensação de estar penetrando em terreno não percorrido, como a desvirginar e recriar com nossa leitura o poema que ali se oferta inteiro e desnudo...
E ter o livro ali, ao nosso alcance, ao nossos lado, muitas vezes a grata e inesperada companhia de uma noite da qual nada esperávamos.
Então, meu querido, publique sempre, e faça de cada lançamento uma celebração, pois que só quem tem esse ofício sabe com tantos cortes e feridas se faz, muitas vezes, um poema.
Beijos
Ada