sábado, 8 de maio de 2010

razão
nenhuma



o que escrevo
é apenas parte
do que sinto

a outra parte
finjo que minto

e acredito

(do livro Sem Meias Palavras, 2002, Ed. Idéia – LS)

CENSURA EM JOÃO PESSOA
Buscando amparo religioso nos seus frágeis argumentos, a vereadora Elisa Virgínia (PPS) quer submeter obras públicas à aprovação da Câmara de Vereadores de João Pessoa. Desinformada e preconceituosa, a vereadora classifica como demoníacas até mesmo obras abstratas. Fica aqui o nosso repúdio por tamanha falta de respeito aos artistas e ao povo da capital da Paraíba. Uma das obras que vem sendo atacada pela vereadora é monumento à Pedra do Reino, uma homenagem do artista plástico Miguel dos Santos a Ariano Suassuna. Tenho amigos e amigas evangélicas que em nada comungam com o pensamento medieval da vereadora. Não se pode confundir religiosidade com hipocrisia. A arte submissa a preceitos morais, não é arte.

DAS INFLUÊNCIAS
Aqui e ali, em alguma entrevista, o escritor sempre é indagado quanto às suas influências. Certamente que este não é o motivo para a maior das angústias. Geralmente, a resposta se refere aos referenciais estéticos do escritor. Ou seja: respostas nada a ver com a pergunta. Na verdade, fica difícil explicar as influências. Na verdade, acho que somos influenciados por tudo e não apenas pelas nossas boas (ou péssimas) leituras. Segundo Umberto Eco, somos influenciados até pelo que se perde no buraco negro da memória.

A ANGÚSTIA DAS INFLUÊNCIAS
Não é raro a política literária prevalecendo no debate estético. Creio que o salto de qualidade neste início de século se deu exatamente pela ruptura com os modismos ditados, geralmente, por facções bastante sectárias, donas de uma literatura não raras vezes de qualidade bastante discutível. Os endeusamentos grupais revelam apenas a necessidade de afirmação de determinados setores ou personalidades, mas em nada revelam a importância de escritores que, na verdade, não serão julgados pela eterna ânsia de perenidade. Portanto, melhor relaxar e, se possível, gozar muito. A vida é agora. Somente a literatura é para sempre. E, pense bem, você pode sofrer influências da revista Caras, folhada na sala de espera do dentista.

DO ESTILO
Nunca me preocupei em ter um estilo, em seguir este ou aquele caminho na literatura. Mergulhei no abismo sem ânsias de encontrar coisa alguma. Posso dizer, definitivamente, que foi exatamente assim que aconteceu. Realmente, não encontrei absolutamente nada e isso é o que me comove. Ainda hoje estranho quando valorizam minha poesia mais do que eu realmente acredito. Mas, creio que a relação com o estilo possa ser exatamente esse desacordo. Desde os primórdios, a conclusão é que não há conclusão. Ou seja: ainda bem que tudo ainda está por ser descoberto no campo do pensamento literário, apesar das descobertas geniais de todos os pensadores em toda a história do mundo. Apesar, também, dos gigantescos equívocos. Também por causa deles.

POEMA DE MARIZE CASTRO

Quem me inundou esqueceu de orar para as estrelas.


(Esquecimento, poema de Marise Castro, poeta de Natal-RN. Do livro Esperado Ouro)

8 comentários:

Rau Ferreira disse...

Contrição, poema de Silvino Olavo.

Bem sei quanto o pecado em min, Senhor,
Fez-se excessivamente pecador!

A carne é triste! E, quando a carne pede,
Nossas alma humana quase sempre cede...

Deste-me agora esta filosofia
Que, da fusão da Dor e da Alegria,

(Leia a continuação deste poema em http://canticodocysne.blogspot.com)

Rau Ferreira

Marcantonio disse...

Lamentável a atitude dessa vereadora. As vezes, desconfio ou temo que esse obscurantismo tenda a se espalhar inapelavelmente. Não se pode dar tréguas a ele. O seu protesto é não justificável como também elogiável.

Abraço

. disse...

Querido Lau, estou aqui para oferecer ao "Poesia Sim" o Selo Prêmio Dardos. É uma singela amostra de minha admiração por teu trabalho.
Os detalhes sobre o prêmio estão na última postagem do meu blog:

http://lacunasdotempo.blogspot.com/2010/05/selo-premio-dardos.html

Espia lá! ;)

Beijinhos,
Ane

Rodrigo Della Santina disse...

Caro Lau,
passo aqui hoje apenas para lhe informar que escolhi seu blog como um dos quinze grandes blogs que conheço a receber o selo "Prêmio Dardos".
Visite este meu post: http://rodrigoepoesia.blogspot.com/2010/05/selo-premio-dardos.html, e tenha todas as informações acerca do prêmio.
Abraço,
Rodrigo Della Santina

jefhcardoso disse...

Lau, somos o que somos, e a escrita, é a nossa própria construção.
Aproveito a sorte de estar aqui em seu blog e lhe convido para opinar em meu trabalho que já dura quase três meses (O Diário de Bronson).

Abraço do Jefhcardoso do http://jefhcardoso.blogspot.com

Bia disse...

Dá um pulo lá no blog!

http://www.robertacamposvarrendoalua.blogspot.com

Um beijo.

Gauche disse...

é impossível não lembrar do Pessoa, nestes versos. um beijo, lau.

susannah disse...

Estilo é complicado... mas vc não tem um projeto de escritura? algo que vc persegue, um raio no meio da noite, um lance de dados nesse jogo de imagens que percorra e construa alguns dormentes entre uma estação e outra dessa trilha que vc mesmo começou a construir? Eu penso nisso toda vez que leio o que escrevo. Tenho um desejo de alcançar um lastro que hj se me afigura como um fogo fátuo.
Eu acho que vc tem... É algo que eu vou observando na escritura do outro, como leitora... Um desejo de ver além daquilo que se veste como verso...
Bjs!