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quarta-feira, 9 de junho de 2010

pluma



quase inexisto quando penso
que n’algum momento tudo esteve
tão imerso que as artérias colidiam

não sou o argonauta que um dia
desceu de uma nuvem imantada
com algo em chamas nos olhos e
um desejo canino de
lamber o invisível

vivi a sensação de penetrar inteiro
no mesmo dilúvio que desencana
ao que não se basta

(você é um argumento ao silêncio
e sua boceta tem algo de céu)


(poema do livro Texto Sentido – Ed. Bagaço, 2007 – lau siqueira)


PENSAR O POEMA - Pensar o poema em tempos de escombros. Pensar o poema em áridas paisagens, com a palavra farrapo como ponto de partida. Pensar o poema na resistência dos dias, na residência das coisas que não existem. Pensar o poema e desistir mil vezes antes do primeiro verso. Escrever o poema inteiro e inacabável... Depois de um dia inteiro de escaramuças com o universo e com a paisagem dual dos sentidos. Para depois rasgar a folha invisível, onde poema algum jamais foi escrito.


MUDANÇA - Mudar de casa é mais ou menos mudar a alma de lugar. Acho que Quintana disse algo parecido. Estou de mudança. Mudança de casa, mudança de hábitos, mudança de afetos, mudança no sentido das urgências e das demências repartidas. Mudança do que parece imutável, do sólido que desmancha no ar... Todas as certezas viraram dúvidas invariáveis. Vivemos num tempo em que somente as dúvidas convencem e se manifestam no estio das emoções...

PESSOAS CANSADAS – Penso naqueles que cansaram. Nos que desistiram. Nos que não acreditam. Penso naqueles que cansaram, desistiram, não acreditam, mas permanecem acomodados na hipocrisia, na mentira, no escárnio dos corredores, nos porões dos acontecimentos. Como se fossem os centros de uma omissão universalizada. Alheios aos que sofrem por nada possuir além das próprias agonias. Penso nos que desistiram. Deles, desisti.




POEMA DE NÍCOLAS BEHR




o barulho subindo
as escadas
o barulho de você
subindo as escadas
meu coração
disparando
a campainha
tocando


não era cinthya
era o síndico


(poema do livro Poesília – poesia pau-brasília, de Nicolas Behr, Editora LGE)

4 comentários:

Diego Machado disse...

Lau, curti o blog. Minha poesia é um pouco mais pesada, mais crítica. Curto outros estilos, mas não sou muito bom nessas. Permita-me linkar seu blog no meu.

Abç.
Diego Machado
http://poesiasdomachado.blogspot.com

Isabella Nucci disse...

Todas essas poesias são geniosas.
Adoro seu blog, Lau!

METAMORFOSE disse...

"Lançamos, agora, um novo desafio. Gostavas de ter um poema da tua autoria, lançado em vídeo, nesta primeira temporada de METAMORFOSE? Estão inscreve-te!
Para tal, basta enviares um e-mail para seriemetamorfose@hotmail.com, com o teu nome e o teu poema titulado. Assim, caso sejas um dos quatro escolhidos, poderás saber qual a imagem reflectida dos teus versos, para quem lê.
O tema é livre para o 10°, 11°, 12° e 13° episódios.
Caso queiras concorrer ao 14° episódio, último desta temporada, o tema é "Fuga". Tens de enviar o e-mail tal e qual como se concorresses para os outros quatro, mas deixando bem claro que estás a concorrer para o 14°.
Prazo máximo de entrega: 30 de Julho, 2010."
mais info: www.seriemetamorfose.blogspot.com

susannah disse...

mudanças... a quem se será que se destinam? aos que são metamorfose interna e benigna, sem graves cuidados, com a alma desperta na retina... ser na incerteza e descobrindo-se em cada linha percorrida no tropeço da despedida. Bjs! Ah, vc me fez virar poesia esta manhã meio vaga de uma quarta-feira meio véspera de meu vôo de gaivota.