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domingo, 13 de junho de 2010

poema para uma noite de pequenas chuvas







ainda que não chova nesta noite de passaredos
imensos e misteriosos seres cavalgando nas
sombras
segurarei tuas mãos para construirmos
juntos na
eternidade de um relâmpago uma
canção de aparência
estática que perfure as
algazarras cotidianas onde
somos todos
estranhos como são estranhas as reses
no
pasto com seus olhares mortificados em
sonoros
silêncios de placidez imersa em algo
de um corpo
etéreo montado sobre
pedregulhos  de cor alaranjada
e fractais
impressos em  literatura neolítica
ainda que as águas não caiam sobre os
telhados
desta noite qualquer espalhada
pela carcaça  inicial
do terceiro milênio
vamos mastigando nossos passos
ingerindo
caminhos percorridos a um palmo
das
cumeeiras de nudez e tradução futurista tal

 criança aprendiz de hacker ou xamã

o poeta sorverá seu próprio lodo em

razão de uma existência que acumula benzinas
e outros
fluidos derramados na extensão do
incêndio que se
alastra enquanto bêbados
de insônia sorvemos o amargo
das
 invernias


(poema do livro Texto Sentido, Ed. Bagaço-PE, 2007 – Lau Siqueira)


POESIA É RISCO
Depois de lançar Sem Meias Palavras, em 2002, com uma série de poemas curtos e até cometendo a ousadia de alguns “hay quase”, o livro Texto Sentido, em 2007, me veio como que a necessidade de um vômito. Aliás, tem sido assim, depois de lançar O Comício das Veias em 93 e alcançar um resultado que jamais esperei, lancei O Guardador de Sorrisos, em 1998, com uma série que o poeta e crítico Hildeberto Barbosa Filho chamou de “experiências ocasionais”. Na verdade, a necessidade de me livrar das vanguardas e de um experimentalismo muito extemporâneo reverberou também na necessidade de me livrar dos poemas curtos. Agora me preparo para um outro lançamento, livre das cobranças internas... aliás, intestinas. O que me alimenta, agora, é o poeta Márcio-André afirmando que não suporta ouvir poetas falando do próprio umbigo. Certamente que escrevendo, também. Márcio-André tem razão. Vou acabar com a festa da minha vaidade. Ponto final.


POEMA INÉDITO DE AUGUSTO DE CAMPOS
Por falar em Poesia é Risco, que tal desfrutar de um poema inédito do poeta Augusto de Campos? Veja o que foi publicado pela revista Errática, neste link: TV Grama 4: http://www.erratica.com.br/opus/98/index.html


RECADO RECEBIDO E REPASSADO
"Lançamos, agora, um novo desafio. Gostavas de ter um poema da tua autoria, lançado em vídeo, nesta primeira temporada de METAMORFOSE? Estão inscreve-te!
Para tal, basta enviares um e-mail para seriemetamorfose@hotmail.com, com o teu nome e o teu poema titulado. Assim, caso sejas um dos quatro escolhidos, poderás saber qual a imagem reflectida dos teus versos, para quem lê.
O tema é livre para o 10°, 11°, 12° e 13° episódios.
Caso queiras concorrer ao 14° episódio, último desta temporada, o tema é "Fuga". Tens de enviar o e-mail tal e qual como se concorresses para os outros quatro, mas deixando bem claro que estás a concorrer para o 14°.
Prazo máximo de entrega: 30 de Julho, 2010."
mais info: www.seriemetamorfose.blogspot.com


ADEUS ASCENDINO!
Com tristeza comunico o falecimento do poeta e jornalista paraibano Ascendino Leite. O poeta completaria noventa e cinco anos no dia 21 de junho de 2010 e estava internado há 29 dias no Hospital da UNIMED. O poeta resistiu até a tarde deste domingo, dia 13 de junho. Ascendino nasceu no interior da Paraíba, no município de Conceição do Piancó. Era membro da Academia Paraibana de Letras.


POEMA DE ASCENDINO LEITE


Vai-se a primeira peça libertada
neste desnude terno e necessário,
deixando à vista, alerta e ansioso,
o teu perfil augusto e elegante.


Vai-se a segunda, abaixo do pescoço,
de onde pendem teus rijos seios virginais
inda que acaso não o sejam
mas levam a esse ventre oblongo de sereia.


Ah, todo o recato agora te protege
comigo, que te cubro, e por sorte, te duplico.

(Nudez, poema de Ascendino Leite)

7 comentários:

Luciana Marinho disse...

gosto muito de "poema para uma noite de pequens chuvas", desde que o li pela primeira vez. e hoje estou numa manhã de pequenas chuvas, sombria.

"...somos todos
estranhos como são estranhas as reses no pasto..."

também o poema de ascendino é redondo, redondo. bonita imagem fechando (ou abrindo) o universo lírico-amoroso "e, por sorte, te duplico".

beijoca.

Leo Lobos disse...

Un agrado leer-mirar su espacio dedicado a la divulgación de su trabajo creativo, mis saludos y abrazo fraterno desde Santiago de Chile,

Leo Lobos

Isabella Nucci disse...

É sempre muito bom entrar no seu blog e se deleitar com suas palavras...
Tenha uma boa semana, poeta!
Abraços.

Mirze Souza disse...

Lau!

Como sempre, ganho, a cada vez que venho aqui.

Adorei seu texto de "pequenas chuvas". Tenho uma poesia assim com tudo escrito ao mesmo tempo agora.
Chama-se Poeira Cósmica.

Pena que um poeta não está mais entre nós. Aqui no Rio de Janeiro, os poetas de "morro, favelas e afins" são super respeitados, por serem poetas. E quando acontece a morte inevitável, todos choram.

Imito meus amigos de morro.

Beijos

Mirze

Biagio Grisi disse...

Já que estamos no clima "invernoso", não resisti a vossa chuva, por isso, vou me molhando e ficando por aqui.
Gostei
Biagio Grisi

Anônimo disse...

ESSE POEMA É MARAVILHOSO! PARABÉNS! SE QUISER DÊ UMA PASSADA NO MEU SITE:http://reinodalira.wordpress.com UM GRANDE ABRAÇO!

Isabella Nucci disse...

Muito bom o Poema de Ascendino Leite.
Vc fez uma bela e precisa descrição!
Beijos.