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segunda-feira, 21 de junho de 2010

resilência do sol





sem folhas presas
aos galhos secos


a árvore seca
num solo seco
gera frutos


(poema vermelho – lau siqueira)


UMA BREVE HISTÓRIA DO SEMPRE
Medido em luas e sóis, permanências e distâncias, consumações e sumidouros, alegrias infinitas e descasos desastrosos... o que permanece é apenas o exato e inatingível esquecimento do que somos enquanto sensações e desejos por sobre uma ampulheta de grãos inclementes, derramando multidões sobre o menino que corre em direção ao invisível.


UMA FRASE DE GANDHI
“Nós devemos ser a mudança que queremos ver no mundo”


GILSON PERANZETA
Em 2007, passeando pelo centro histórico de João Pessoa com o pianista Gilson Peranzeta e sua doce companheira, conversando sobre os desafios de produzir cultura na terra de Augusto dos Anjos, acabei ouvindo uma pérola. Entre outras, Gilson contou que certa vez encontrou com Tom Jobim e Tom veio logo exclamando: “Gilson, Gilson... conheci um músico que é maior que a própria obra.” Curioso, o pianista perguntou quem seria o tal. Tom Jobim respondeu de pronto: “Egoberto Gismonti”.


ERUDIÇÃO CANSADA
Nem sob tortura revelo o nome do cidadão! Certa feita, numa dessas mesas de debate da vida, numa certa universidade brasileira, fiquei prestando atenção nos que falaram antes de mim. Foram tantas as citações que fiquei pensando se sobrava tempo para que esse tipo de intelectual pudesse, também, pensar. Então lembrei o francês Merleau-Ponty dizendo que “a verdadeira filosofia é reaprender a ver o mundo.”


ONDE ESTÁ O PODER?
Meus últimos anos vividos buscam um lugar reflexivo para as mais íntimas definições de poder. Não tivesse lido “Escuta, Zé Ninguém”, de Wilhelm Reich, certamente que teria escrito algo nesta direção. Ocorre que o poder do homem comum é o poder de manipular interesses e, ao mesmo tempo, se permitir manipular sob o manto de um anonimato que somente não permanece impune diante da história que, por não responder apenas aos interesses da mediocridade, quando reage não deixa pedra sobre pedra.


POEMA DE PAUL VERLAINE


Eu renuncio à poesia!
Serei rico pela manhã.
Para outros eu passo o bastão:
Quem ser meu sósia quereria?


Belo emprego, lembro no instante.
Vadiar nas belas jornadas,
Por onde, rimando baladas,
Eu tardava em noites, distante.


Clara e lúcida, a lua aérea.
Pontes, em luz insidiosas,
Seguia a água em vagas formosas.
Paris feliz qual cemitério.


Nego a aventura que me adorna
E lego aos moços minha lira!
Jovens, herdai de quem delira;
Eu herdo a bolsa que suborna.

(Sonho, de Paul Verlaine. Do livro Poetas Franceses do Século XIX. Tradução de José Lino Grünewald. Editora Nova Fronteira)

2 comentários:

nydia bonetti disse...

"erudição cansada" - também não suporto, lau. e os que usam das citações dentro dos poemas! muitos dos nossos intelectuais e poetas precisam mesmo "reaprender a ver o mundo". abçs.

Isabella Nucci disse...

Excelente poema!
Abraço.