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quarta-feira, 21 de julho de 2010

tatuagem







no canto direito da sala
sobre a lâmpada
caminha um aracnídeo qualquer
- um se-ser-poema-concreto
sobre as vísceras da parede um
estrangeiro inseto tipo insignific
ante correto


nas patas do bicho
um hiato


(do livro Texto Sentido – lau siqueira)


A IDADE DAS COISAS (I)
A Grécia é considerada o berço da cultura, mas pode não ser bem assim. Das peças teatrais aos discursos políticos, a importância histórica do pensamento grego é inquestionável. Vejam o caso de Homero. Segundo pesquisadores, os primeiros textos escritos provavelmente apareceram entre os séculos IX e VII a.C.. Esses textos escritos foram os primeiros registros da tradição épica, narrações de histórias de guerras, manobras militares e aventuras vividas por seus personagens.


A IDADE DAS COISAS(II)
A tradição registrada nesses poemas foi transmitida durante séculos na forma oral. Possivelmente de uma lonjura de até três milênios a.C. ou mais, já que tudo é estimativa antropológica. Até porque as certezas antigas acabaram em diluições contemporâneas e o exercício da dúvida é sempre a melhor certeza. A cultura das antigas civilizações micênica, hitita e babilônica, por exemplo, foram incorporadas pelas novas civilizações dominantes do tempo antigo e assim sucessivamente. Até que a história da cultura chegou na era digital, sem maiores certezas, mas com infinitas possibilidades.


NO TEMPO DAS VAIDADES HIBERNÉTICAS
Os poemas épicos Ilíada e Odisséia são “atribuídos” a Homero pelos historiadores da cultura mais cautelosos. Certamente que Homero pode ter sido apenas o grande orador que concentrou de forma magnífica a memória dos tempos na literatura. Imagine para onde irão essas reflexões daqui a uns dois séculos, com tanto texto de autoria falsa circulando na internet? A temporalidade de um texto, de uma obra, transcendem até mesmo a importância do autor. Talvez seja este o enigma de Homero. E certamente que as vaidades dele eram outras.


UMA FÁBULA DE ESOPO
“Era uma vez um caçador que recebeu a visita de um hóspede numa hora bem avançada. Sem ter nada que oferecer ao visitante foi até a perdiz que criava e já ia sacrificá-la quando esta lhe disse:
- Seu ingrato! Não sou eu que te sirvo de chamariz para as minhas irmãs e ainda queres me matar?
Ele respondeu:- Eis uma razão a mais para te imolar, pois não poupas nem teu semelhante.Quando traímos os nossos, despertamos o ódio dos que foram traídos e daqueles para os quais traímos.”



(O caçador e a perdiz, do livro Fábulas, de Esopo. Tradução de Antônio Carlos Viana. Editora LPM Pocket)

6 comentários:

Roberta Granada disse...

Oi, adoro teu blog , tudo muito lindo como sempre,beijokas
http://agulhaetricot.com

http://titacarre.elo7.com.br

susannah disse...

"Nas patas do bicho um hiato"... é aí que mora o olhar do poeta, tatuagem secreta na parede em visceras, revelando, à sorte dos que lêem, o viés. Lembra-me Da Vinci ensinando os aprendizes a perceber no muro cru as narrativas possíveis, as imagens nascentes dos pequeninos pontos, dos vãos e meandros das cicatrizes secretas da parede enclausurada nos anos. Assim é esse "se-ser-poema-concreto" do poeta aracnídeo, "estrangeiro inseto" a encetar o estranho nas cicatrizes do leitor e seus band-aids...

Bjs!

Mauro Cesar Costa disse...

"Nas patas do bicho um hiato" Massa! (como gaucho que é já deves saber o que é). Muito massa, gostei do teu blog.

nydia bonetti disse...

aranha tece
canto branco do quarto
- a vida é teia

que pena que o feed do teu blog não atualiza, lau. pra nós que te seguimos seria tão bom. abraço!

Sidnei Schneider disse...

li até lá embaixo, sempre bom. teus tópicos tem uma suavidade, gosto muito dela. resiliência do sol fez um bruta sentido.
abraço

Sidnei Schneider disse...

li até lá embaixo, sempre bom. teus tópicos tem uma suavidade, gosto muito dela. resiliência do sol fez um bruta sentido.
abraço