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segunda-feira, 4 de outubro de 2010


girassol





que uma nova manhã
percorra o esplendor das
...........................pétalas


seda laranja
cujos poros movem

o brilho do sol


é tempo de semear
estrelas e conduzir pela
mão o futuro


(joão pessoa, 03.10.10 – 00:30h. vale do timbó, terceiro andar. poema vermelho, lau siqueira)


ALBERTO LACET
Um nome da mais alta nobreza na arte nordestina e brasileira é o paraibano da serra de Teixeira, no Alto Sertão, Alberto Lacet. Sua obra produz cores pulsantes e nos permite dispensar as fronteiras entre o figurativo e o abstrato. Como toda arte superior, a obra de Lacet está além de qualquer definição, de qualquer conceito. Como diria Almandrade, é a mais pura “poesia como objeto do olhar”. Confira o seu site, http://www.albertolacet.com/


parahyband


nas cores alegres
e tristes das esquinas
desta cidade de
multidões em delírio


não cabe o olhar
que as sustenta

( e os tambores
......tocam
para
......joão balula )


(poema vermelho – lau siqueira)

JOÃO BALULA
Para quem não conheceu João Balula, diria que foi um príncipe ancestral da raça negra brasileira de todas as áfricas, morador do bairro da Torre, em João Pessoa. Um exercício humano de entregas, arrebatamentos e temores. Balula foi meu colega de trabalho na Fundação Cultural de João Pessoa. Pessoa do carnaval, do teatro, da cultura popular, das lutas do movimento negro, das lutas lgbt, dos direitos elementares do povo pobre. Sua morte foi um estampido para o nosso tempo de girassóis e girândolas. Hoje João Balula é nome de anfiteatro no bairro Cidade Verde, um subúrbio com o cheiro do mar. E este pequeno poema é uma singela homenagem à memória do amigo que se foi e que se eterniza na lembrança das suas atitudes.


POEMA DE MALLARMÉ




Nada, esta espuma, virgem verso
A não designar mais que a copa;
Ao longe se afoga uma tropa
De sereias vária ao inverso.


Navegamos, ó meus fraternos
Amigos, eu já sobre a popa
Vós a proa em pompa que topa
A onda de raios e de invernos;


Uma embriaguez me faz arauto,
Sem medo ao jogo do mar alto,
Para erguer, de pé, este brinde


Solitude, recife, estrela
A não importa o que há no fim de
um branco afã de nossa vela.


(Brinde, poema de Stéphane Mallarmé. Tradução de Augusto de Campos)

2 comentários:

adazani disse...

Mas que coisa mais linda esse teu poema, amigo!
Seda laranja...deu uma nostalgia de algo indefinível...
Tem poema que é um presente raro pro leitor. Esse é, para mim.
Beijos,
Ada

nydia bonetti disse...

Mais do que nunca, "é tempo de semear estrelas e conduzir pela
mão o futuro". Quase uma profecia, Lau. Abraços.