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sábado, 30 de outubro de 2010

GRAFITE







morrer é quase
um imprevisto


morro sempre
quando penso
que não existo

(Do livro Predadores, das edições Dulcinéia Catadora. Lau Siqueira)

GRAFITE II
“Não quero mudar o príncipe, mas o princípio. (Em memória de Lee Oswald)”. Frase colhida da minha memória. Estava escrita com tinta preta no muro da Faculdade de Medicina da UFRGS, no final dos anos setenta.

VOTO PELA DIGNIDADE
A poesia é, naturalmente, apartidária. A poesia é uma paisagem de todas as cores. Pássaro mergulhador das fontes de água barrenta e dos córregos verdejados. A poesia é uma garupa de palavras buscando o instante da velocidade e do salto. O poeta, não. O poeta trava, engole, voa, vomita. O poeta toma partido sempre. Mesmo quando não. Eu tomo partido sempre e sempre respeito as diferenças. Separo o joio do trigo. O respeito deve ser uma condição preponderante na democracia moderna. Este ano, meu voto vai para Dilma, 13, presidente e Ricardo, 40, governador. Voto contra o que pensa, por exemplo, gente como Ferreira Gullar que opina estupidamente e vota em Serra. Voto contra o oportunismo patológico de Gabeira que também vota em Chirico - José Serra Chirico é o nome completo. Para o Brasil continuar mudando e para a Paraíba articular-se em torno de idéias e ações que busquem, através de políticas públicas, consolidar na mente do povo o desejo de um mundo de homens e mulheres livres e iguais. Para isso nos resta, agora, colocar a mão na massa e os pés no caminho. Criando, propondo, participando das lutas do povo e refletindo sobre as mazelas sociais e sobre as nossas condições objetivas para o enfrentamento das suas causas. A democracia brasileira tem mais um passo importante a ser dado neste momento histórico. Não vacile. Vote no povo brasileiro. Vote no povo da Paraíba.

VOTO CONTRA A IGNORÂNCIA
Aqui, a candidatura do PMDB vem sendo ornamentada por panfletos apócrifos, criminosamente difamatórios. Uma agressão à religiosidade do povo negro. Algo inacreditável em pleno século XXI. Os herdeiros do mofo podre da inquisição fazem questão de dizer que estão vivos. Um deles, satanizando o candidato socialista, Ricardo Coutinho, pelas obras de arte que a sua administração espalhou pelas ruas através de edital público. Também uma obra fundamental como O Porteiro do Inferno, de Jackson Ribeiro, é execrada publicamente em tempos eleitorais por indivíduos que ultrapassaram todas as fronteiras da ignorância. O Porteiro é um monumento da arte de vanguarda brasileira. Algo espantosamente espetacular. O Porteiro do Inferno é uma obra brutalmente bela! Existe e polemiza a sociedade desde os anos setenta. Tentam colocar as comunidades contra os artistas. Tentaram destruir a escultura "Monumento à Paz" de Marcos Pinto que está em fase de implantação num cruzamento desta capital. Enfim, não preciso dizer mais nada. Eu voto contra a ignorância e voto contra a miopia de alguns companheiros e companheiras que deixaram de lado a análise ideológica do mundo, para embarcar na lógica fácil da adesão aos governos conservadores. Não estamos mais na República Velha. Os tempos são outros. É tempo de seguir em frente. Eterno, somente o povo.

O VOTO E O CAMINHO
Voto em Ricardo Coutinho, por ele mesmo e por gente tipo o deputado Luiz Couto, do PT; e por instituições do povo brasileiro, como o MST e muitos outros segmentos e movimentos sociais. Pelos legros, pela cidadania LGBT, pelos índios, pelas mulheres, pelas crianças, pelos homens da Paraíba. Eu voto junto com o diretório municipal do PT e voto como vota o PSB. Voto em Ricardo Coutinho porque ele vota em Dilma. E porque é um cara que teve um olhar para todas as áreas da cidade e para todos os segmentos da sociedade. Ricardo foi um prefeito caminhando a passos firmes para o futuro, para a melhoria das vidas e das pessoas. Viemos dos mesmos caminhos, dos movimentos sociais. Aprendemos a caminhar, caminhando. A sociedade em movimento, pensando junto, produz um fenômeno maiúsculo chamado civilização. O grande salto é sempre seguir em frente e passar o bastão da forma menos pesada possível para as próximas gerações. Dividir as riquezas, repartir solidariedade na alegria e na tristeza... Porque o caminho somos nós.

MÁRCIA TIBURI
“A sustentação do espaço político como espaço de convivência de diferenças à luz dos direitos dos seres humanos é algo que apenas pode acontecer se tivermos consciência teórica e prática da separação entre o político e o publicitário.” (Revista Cult 148)



POEMAS SUSPENSOS


“Nada me assusta senão quando as bestas, no meio das tendas, mastigam secas as sementes de Khimkhim.”


(fragmento de Ântara, filho de Chaddad. Poesia pré-islâmica. Poesia beduína, do livro Poemas Suspensos, traduzido diretamente do árabe por Alberto Mussa.)

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