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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Política





Quando menino era fazendeiro
rico. Tinha um quintal, bois de osso
e um cão chamado Dique. Recebia
presentes da avó que nunca vi.
Marmelo seco. Charque. Tomava
banho de açude.

Como era doce ser rude!

 
(do livro Texto Sentido, 2007. lau siqueira)


DILMA, 13 - RICARDO, 40
No dia 31 de outubro vou me dirigir à Escola David Trindade, em Mangabeira, para votar em Ricardo para governador da Paraíba e Dilma para presidente. Meu voto vai para os que acreditam que o Brasil e a Paraíba precisam avançar para um enfrentamento com o presente e com o passado e para que o futuro não ria da nossa tristeza e da nossa miséria. Socialismo e Liberdade na terra de Augusto dos Anjos!

POEMA DE LUCAS VIRIATO

Nada machuca tanto
(e gera mais espanto)
do que este curto corte
da fina folha em branco

(Pranto, poema de Lucas Viriato publicado no excelente suplemento, Plástico Bolha – jornalplasticobolha.blogspot, ano 5 nr 28, Rio de Janeiro)

ALBERTO LACET IN CONCERT
Já comentei no post anterior, em um dos tópicos, sobre a importância da obra de Alberto Lacet, artista paraibano desbravador de caminhos. Agora recebo por e-mail este belo poema, do próprio Lacet. Dono do próprio ritmo, ele escreve com a musicalidade do que suas turbulências emanam em sons e silêncios. Movimentos simultâneos das imagens que colhe e escolhe para traduzir a eternidade de um momento. Cada palavra é uma cor na literatura bem pintada de Alberto Lacet. (www.albertolacet.com)

POEMA DE ALBERTO LACET


Aonde houvesse aquela rua que não ia dar em nada
O moço estaria com o molhe de chaves pego ao acaso
Quem sabe com alguma idéia germinando na cabeça
E a percepção de que nenhuma migalha lhe bastaria
Numa cena inundada de vento frio soando palavras
Na ação aferrada ao tempo e seu perfeito quadrante
Com uma carroça passando ao longe, além da ponte.

E depois acontecendo quando nada é o que se espere
Ai não estaria aquele moço aonde o fossem procurar
Não seria visto balançando pernas na aba da ponte
E apressados tentariam chegar antes dele e da noite
Ao que seria seu plano apenas vagamente percebido
Até quase um vento entrando em portas escancaradas
O homem da bomba de gasolina traz afinal uma pista

Outros só interessados em ficar sentados nos batentes
Entre eles o hábito de calar ou de não medir palavras
Colher gesto maduro de ser uma fruta suspensa no ar
Com a notícia prosperando e fazendo que o tempo voe
Também os abstraindo de piruetas do vento na calçada
Bem vinda é se traz uma forma especial de sofrimento
Alegre é a corda pendendo de caibros nus da garagem

E anos depois sob sol e chuva ela havia de permanecer
Largada entre monstrengos férreos relegados à neblina
A carcaça carbonizada de uma boléia de caminhonete
Apeada ao chão, num jazigo de perguntas sem respostas
À margem do caminho onde passavam e ela sempre ali
Desde que dele separada e trazida do aonde fora levada
Pelo mesmo nunca mais visto em nenhum lado da ponte

(a Fuga, poema inédito de Alberto Lacet. Publicado no blog Poesia Sim com a sua devida autorização.)











4 comentários:

fluorescência germinal disse...

E tem riqueza maior do que ter um cão, um quintal, e um açude pra tomar banho? São tão pobres os meninos ricos de hoje... Abçs.

Giovani Iemini disse...

dá uma olhada no bar do escritor.
[]s

Guilherme Semionato disse...

Olá, Lau,

Gostaria de divulgar meu blog de poesias, criado há pouco. Caso goste, sinta-se livre para divulgar. Ainda mais importante, é claro, são comentários, críticas e sugestões.

Aqui o link: http://umpoematoscopordia.blogspot.com/

Obrigado.

Izabel - In Memorian disse...

Bom dia!
Gostaria de convidá-lo para assistir a poesia "A Velha Catarina", declamada em vídeo pelo esposo de Izabel Sadalla Grispino.
Visite-nos!!
Um grande abraço!