condição perene


 ......nas cheias
o rio comanda o espetáculo


e as margens são apenas
degraus para o leito mais fundo

................nas secas
................o rio é a margem


(LS – do livro Predadores, na coleção Dulcinéia Catadora – São Paulo, 2007)


TELMA SCHERER
Ainda estou engasgado com a violência sofrida pela poeta Telma Scherer na Feira do Livro de Porto Alegre (veja postagem anterior). Tentei escrever um artigo a respeito, mas lembrei do conselho de Machado de Assis, “não escreva puto. Ou seja: nunca escreva quando estiver com irado. Grite, esperneie. Mas, ao escrever esteja completamente lúcido.” Foi mais ou menos isso que disse o grande escritor brasileiro. Estou acalmando a alma para escrever mais um texto sobre as transformações sofridas pela Feira do Livro de Porto Alegre e suas consequências. Um evento onde a literatura anda cada vez mais rara. No caso da poesia ainda é mais grave. A truculência da Brigada Militar contra Telma, a mando de expositores e, provavelmente, da própria direção do evento, não pode ser banalizada.

PAPO DE QUINTA
Às 14 horas, nesta quinta-feira, estarei na TV UFPB debatendo com o subsecretário de Cultura da Paraíba, Professor David Fernandes, sobre o I Salão do Livro da Paraíba. Aliás, um evento muito bem vindo na terra de Augusto dos Anjos. Com o Agosto das Letras desenvolvido pela Fundação de Cultura de João Pessoa, a Festa Literária de Boqueirão e outros eventos, já podemos acreditar que a Paraíba está abrindo suas portas para o mercado do livro e, certamente, para a literatura.


BENEDETTO CROCE
“O poeta forma-se assim, trabalhando e errando, buscando o belo e caindo no feio, entre remorsos e arrependimentos. Qual o poeta que não se envergonha e desejaria eliminar do mundo, (e por isso procura que sejam silenciadas, esquecidas ou rejeitadas), muitas de suas composições que, não obstante, exigiram todo o empenho de suas forças no momento em que as escreveu? O poeta, como todos na vida, aprende o seu ofício às próprias custas, não o aprende gratuita,fácil ou deleitosamente, como se fizerre mediante seguras exercitações, como se aprendesse a nadar sem ir ao mar provar a água salgada.
(Do livro A Poesia, de Benedetto Croce. Tradução de Flávio Loureiro Chaves. Edições da Faculdade de Filosofia da UFRGS, 1967. Comprei este livro há uns 30 anos, exatamente na Feira do Livro de Porto Alegre)


POEMA DE WALLY SALOMÃO


minha alegria permanece eternidades soterrada
e só sobre para a superfície
através dos tubos alquímicos
e não da causalidade natural.
ela é filha bastarda do desvio e da desgraça,
minha alegria:
um diamante gerado pela combustão,
como resultado final de incêndio.


(Minha alegria, poema de Wally Salomão. Do livro Algaravias, Editora Rocco-RJ)



Comentários

Ana Matias disse…
Também fiquei indignada com o que ocorreu com a Telma Scherer na Feira do Livro, mas infelizmente o que conta nas feiras são as vendas... pra que arte... Se o que importa é o dinheiro?

Abraços!
Mari Amorim disse…
Gostei de vir aqui e ler-te,saio feliz!
Desejo que seus dias,sejam iluminados pela essência Divina,com Boas Energias Sempre!
Abraços
Mari

Postagens mais visitadas deste blog