sábado, 18 de dezembro de 2010

manifesto alfabélico

(em memória de Paulo Freire)






sentir as palavras
e aprender o destino
de cada uma


comê-las com fome
de quem devora os
próprios sentidos

e depois arrancá-las
dos poros através
dos pelos

é assim...


a poesia é o começo
da linguagem

um não-lugar onde
a leitura é o derradeiro
ato da invenção

(poema vermelho – lau siqueira)

MPB – MÚSICA POÉTICA DO BRASIL
Num determinado momento da nossa história muito recente a poesia tomou conta de determinado segmento da música brasileira, com um ganho espantoso para os nossos sentidos. Falo de Zeca Baleiro, Chico César, Lenine, Paulinho Moska e outros que seguiram os passos dos caras que fizeram a música brasileira ter a grandeza que tem. E agora eu falo de Lupicínio Rodrigues, Chico Buarque de Holanda, Caetano Veloso, Cartola e os habitantes da invenção como Mutantes, Arnaldo Antunes, Tom Zé, Arrigo Barnabé e Itamar Assunção. Me ocorreu isso agora e só estou escrevendo porque nestes tópicos breves do Poesia Sim escrevo o que me ocorre. Como o inédito poema dedicado ao mestre Paulo Freire.

SALÕES DE ARTES PLÁSTICAS
Depois da literatura, a arte que mais me comove é a visual. É a arte das cores, dos movimentos plásticos, da acústica que algumas obras carregam do seu processo de escavações criativas. O Salão Municipal de Artes Plásticas de João Pessoa, como tantos espalhados por aí, traduzem os sinais de espanto das novas gerações de criadores. Um movimento que merece a atenção de curte, pensa e produz arte.

VOU MORAR NA CASA VERDE
Recebi convite da amiga, poeta, jornalista e multimídia gaúcha, Laís Chaffe, para publicar meu livro pelo selo Casa Verde (conheça o site: http://www.casaverde.art.br/). Feliz com o convite nesta fase de finalização do livro (Poesia Sem Pele), começo apensar que tudo agora caminha melhor. Minha gratidão à amiga Laís, pelo convite.

POEMA DE NELSON PERLONGHER

As volutas dos anteparos mineralizam a desordem dos volumes voluptuosos, nos claro-escuros das vibrações. Passa uma sombra pela cascata artificial.

(da antologia Jardim de Camaleões – a poesia neobarroca na américa latina, organização da antologia e tradução deste poema,Cláudio Daniel. Ed. Iluminuras. Nelson Perlongher nasceu em 1949 e é um expoente da poesia neobarroca da Argentina)

8 comentários:

Vais disse...

Saudações Lau Siqueira,
impressionante de bonito este "manifesto alfabélico"

Parabéns pelo poesia sim poesia!
leminskiagem
POEMA DE SEVERO SARDUY
TRANSGRESSÃO ESTÉTICA
deus
chuva
... e tal e tal

abraço e inté

Vais disse...

levo o poesia sim para por onde vão meus olhos
um abraço

Gosta/Cabelo disse...

belo poema. percebe-se pelas citações que você tem muito bom gosto. com relação à "música poética brasileira" os seus elogios são pertinentes, mas ainda assim este genero musical não tem o espaço que merece no Brasil atual. será um mal desta época ou as coisas sempre foram assim? músicos e poetas talentosos encobertos pela cultura de massas. com uma mente jovem como a minha eu não encontro uma resposta.

http://alvoradadosom.blogspot.com/

Betomenezes disse...

Lau,

acho que a poesia invadiu outras áreas além da MPB.

O Rap paulista por um caminho e o Rep carioca, por ourto totalmente diferente estão maltratando a rima, da maneira boa de dizer. Usam a rima como cavalete para verdadeiros poemas, que nos remetem à urbanidade e a quantidade exagerada de referência que caracterizou a arte nesta primeira década do nosso século.

Como disse Raul: Baby, Baby, bem-vindo ao século vinte e um.

http://youtu.be/8J5KPIyYnXA
http://youtu.be/rhXSYOkOFao

Abraço.

Betomenezes.

betomenezes.biz
pedranorim.com
betomenezes.tumblr.com

Henrique Pimenta disse...

Eu como a palavra "tijolo".

Dina disse...

Peraí, Lau, tu vai entrar 2011 ainda escrevendo poesia? Um feliz Natal e um próximo Ano-Novo pra você também.

Vais disse...

Ei Lau,
peguei emprestado o 'manifesto alfabélico'
Tá ótimo para terminar um ano e começar outro.

Um 2011 de muitas conquistas e tudo de bom!

um abraço

Diogo de Oliveira Reis disse...

O título do blog me lembrou, sem que eu desejasse que assim fosse, uma outro nome, o de um romance pouco lido no Brasil. Trata-se do livro Homens e Não, do escritor italiano Elio Vittorini.

Homens e Não é um romance com uma espessura de linguagem impressionante, e que retrata o contexto da segunda guerra mundial, na Itália.

Lanço aqui a concisão do Elio Vittorini, porque ela me faz ter ainda mais aquela convicção muda de que devemos dizer Poesia sim, porque em outro lugar alguém nos diz Homens e Não.

Talvez porque sabia das muitas negações e denagações que cercam o humano, um educador como Paulo Freire tenha sentido tanto a necessidade de afirmar o ensino como uma abertura capaz de atingir o homem mais simples.

Existem tantos possíveis Riobaldos por esse Brasil a fora. Tantos homens que podem se descubrir rios baldos e se inventarem no gosto de especular idéia, e saber que tudo na vida é e não, nesse range rede que é estar existindo, e não saber o dia de amanhã, e não querer saber o dia de amanhã.