manifesto alfabélico

(em memória de Paulo Freire)






sentir as palavras
e aprender o destino
de cada uma


comê-las com fome
de quem devora os
próprios sentidos

e depois arrancá-las
dos poros através
dos pelos

é assim...


a poesia é o começo
da linguagem

um não-lugar onde
a leitura é o derradeiro
ato da invenção

(poema vermelho – lau siqueira)

MPB – MÚSICA POÉTICA DO BRASIL
Num determinado momento da nossa história muito recente a poesia tomou conta de determinado segmento da música brasileira, com um ganho espantoso para os nossos sentidos. Falo de Zeca Baleiro, Chico César, Lenine, Paulinho Moska e outros que seguiram os passos dos caras que fizeram a música brasileira ter a grandeza que tem. E agora eu falo de Lupicínio Rodrigues, Chico Buarque de Holanda, Caetano Veloso, Cartola e os habitantes da invenção como Mutantes, Arnaldo Antunes, Tom Zé, Arrigo Barnabé e Itamar Assunção. Me ocorreu isso agora e só estou escrevendo porque nestes tópicos breves do Poesia Sim escrevo o que me ocorre. Como o inédito poema dedicado ao mestre Paulo Freire.

SALÕES DE ARTES PLÁSTICAS
Depois da literatura, a arte que mais me comove é a visual. É a arte das cores, dos movimentos plásticos, da acústica que algumas obras carregam do seu processo de escavações criativas. O Salão Municipal de Artes Plásticas de João Pessoa, como tantos espalhados por aí, traduzem os sinais de espanto das novas gerações de criadores. Um movimento que merece a atenção de curte, pensa e produz arte.

VOU MORAR NA CASA VERDE
Recebi convite da amiga, poeta, jornalista e multimídia gaúcha, Laís Chaffe, para publicar meu livro pelo selo Casa Verde (conheça o site: http://www.casaverde.art.br/). Feliz com o convite nesta fase de finalização do livro (Poesia Sem Pele), começo apensar que tudo agora caminha melhor. Minha gratidão à amiga Laís, pelo convite.

POEMA DE NELSON PERLONGHER

As volutas dos anteparos mineralizam a desordem dos volumes voluptuosos, nos claro-escuros das vibrações. Passa uma sombra pela cascata artificial.

(da antologia Jardim de Camaleões – a poesia neobarroca na américa latina, organização da antologia e tradução deste poema,Cláudio Daniel. Ed. Iluminuras. Nelson Perlongher nasceu em 1949 e é um expoente da poesia neobarroca da Argentina)

Comentários

Vais disse…
Saudações Lau Siqueira,
impressionante de bonito este "manifesto alfabélico"

Parabéns pelo poesia sim poesia!
leminskiagem
POEMA DE SEVERO SARDUY
TRANSGRESSÃO ESTÉTICA
deus
chuva
... e tal e tal

abraço e inté
Vais disse…
levo o poesia sim para por onde vão meus olhos
um abraço
Gosta/Cabelo disse…
belo poema. percebe-se pelas citações que você tem muito bom gosto. com relação à "música poética brasileira" os seus elogios são pertinentes, mas ainda assim este genero musical não tem o espaço que merece no Brasil atual. será um mal desta época ou as coisas sempre foram assim? músicos e poetas talentosos encobertos pela cultura de massas. com uma mente jovem como a minha eu não encontro uma resposta.

http://alvoradadosom.blogspot.com/
Betomenezes disse…
Lau,

acho que a poesia invadiu outras áreas além da MPB.

O Rap paulista por um caminho e o Rep carioca, por ourto totalmente diferente estão maltratando a rima, da maneira boa de dizer. Usam a rima como cavalete para verdadeiros poemas, que nos remetem à urbanidade e a quantidade exagerada de referência que caracterizou a arte nesta primeira década do nosso século.

Como disse Raul: Baby, Baby, bem-vindo ao século vinte e um.

http://youtu.be/8J5KPIyYnXA
http://youtu.be/rhXSYOkOFao

Abraço.

Betomenezes.

betomenezes.biz
pedranorim.com
betomenezes.tumblr.com
Henrique Pimenta disse…
Eu como a palavra "tijolo".
Dina disse…
Peraí, Lau, tu vai entrar 2011 ainda escrevendo poesia? Um feliz Natal e um próximo Ano-Novo pra você também.
Vais disse…
Ei Lau,
peguei emprestado o 'manifesto alfabélico'
Tá ótimo para terminar um ano e começar outro.

Um 2011 de muitas conquistas e tudo de bom!

um abraço
O título do blog me lembrou, sem que eu desejasse que assim fosse, uma outro nome, o de um romance pouco lido no Brasil. Trata-se do livro Homens e Não, do escritor italiano Elio Vittorini.

Homens e Não é um romance com uma espessura de linguagem impressionante, e que retrata o contexto da segunda guerra mundial, na Itália.

Lanço aqui a concisão do Elio Vittorini, porque ela me faz ter ainda mais aquela convicção muda de que devemos dizer Poesia sim, porque em outro lugar alguém nos diz Homens e Não.

Talvez porque sabia das muitas negações e denagações que cercam o humano, um educador como Paulo Freire tenha sentido tanto a necessidade de afirmar o ensino como uma abertura capaz de atingir o homem mais simples.

Existem tantos possíveis Riobaldos por esse Brasil a fora. Tantos homens que podem se descubrir rios baldos e se inventarem no gosto de especular idéia, e saber que tudo na vida é e não, nesse range rede que é estar existindo, e não saber o dia de amanhã, e não querer saber o dia de amanhã.

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