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Mostrando postagens de Janeiro, 2011
boca boca




sem mira
atiro em mim mesmo
às vezes

saio lanhado e disforme
e novamente me transformo
: assumo a interina forma

no mais
sou verso que voa
no espetáculo sem bis
do instante

(poema do livro Texto Sentido - LS)

LITERATURA EM CAMPINA - Faz muito tempo que durante o carnaval a cidade de Campina Grande realiza um evento chamado Encontro da Nova Consciência, onde se discute os velhos temas da "Nova Era". Pelo segundo ano consecutivo o evento abrigará, nos dias 6 e 7 de março, o Encontro de Literatura Contemporânea, organizado pelo núcleo Blecaute de Literatura. A temática abordada será "Entre Escritores e Editores: a trajetória dos Livros." Recebi e aceitei o gentil convite do poeta Bruno Gaudêncio para participar de uma mesa no dia 07 de março, às 10:30h, cujo tema é "Livro, leitura e literatura: a produção de eventos". A posposta é debater políticas públicas voltadas para a literatura na Paraíba. Também farão parte da mesa Roberto Azobel (PE) e Mirtes Valeska(…
estand'arte





a noite geme
seus motivos na
sutileza do
gesto sugerido


(ócio de flores
exalando o sublime)

em nervuras
absolutamente
               secas

(lau siqueira – poemas vermelhos)

O CORTE E O VERSO – Uma amiga me fez pensar bastante sobre a minha relação com a invenção do poema. Ela se referia, mais precisamente, ao modo como estabeleço a “tortografia” (segundo Augusto de Campos) do verso. Na verdade, no geral, não uso o corte do verso para estabelecer o ritmo do poema. Pelo menos, não sempre (pra não dizer quase nunca). Na maioria das vezes, o corte serve exatamente para quebrar o ritmo e tornar a leitura uma aventura que somente irá se completar no leitor. A modernidade criou o verso polimétrico, um guardador dos oxigênios para o poema moderno e para a sua sintaxe. No meu caso, uso o corte do verso para que o leitor possa reinventar o poema e para que a invenção se complete num outro olhar. Mas, esse é um longo papo que ainda vou desenvolver de forma mais apurada. Provavelmente no …
bizarro




manifesto me
contra o que pareça
irremediavelmente
triste

manifesto me
contra as navalhas
do absoluto
vômito desse olhar lapidado em sentidos
                    impuros

e acaricio o silêncio             aos murros
(poema vermelho - lau siqueira)
CAIXA BAIXA (Esses Moços...) - Escrevi o título propositalmente em maiúsculas para definir a ousadia e a ironia (sempre tão necessária) de um grupo de escritores paraibanos, ainda jovens, mas suficientemente maduros para as aventuras planejadas da linguagem. Eles (e duas elas) se reuniram no último sábado, no Bar do Elvis (próximo à UFPB) para discutir saídas para suas produções. Mas, não era apenas isso. Também, para discutir política literária, ética, estética... E, sobretudo, para estender ao máximo um olhar agudo sobre a própria obra. A rapaziada chegou para mostrar a cara e desbravar os próprios horizontes na literatura paraibana e brasileira. Espaços, diga-se de passagem, conquistados pelo árduo trabalho com a palavra e pelas heranças his…
poeta interino






todo dia substituo um
cidadão de jeans san
dálias e cabelos gris
por um martelo e prego
sílabas no
branco da folha branca


      cada pan cada
   uma plêiade de me
        mória e lixo


todo dia
revelo o bêbado ocioso
que nada
.............nada
....................nada


e sempre é um rosto e
um nome ensacado em
minha pele


(do livro Texto Sentido, poema musicado e gravado por Patrícia Moreyra – LS)


I ENCONTRO DOS JOVENS ESCRITORES DA PARAÍBA – Neste sábado, DIA 15, às 15h, no Bar do Elvis (próximo ao Porteiro do inferno, no giradouro da UFPB), estará acontecendo o I Encontro de Jovens Escritores da Paraíba. Segundo o poeta Jairo Cezar, “O encontro, que será inicialmente informal, tem como propósito criar uma maior sociabilidade intelectual entre os jovens escritores da Paraíba, possibilitando assim a troca de informações, bem como de livros entre os futuros membros e/ou freqüentadores. A idéia é que futuramente este encontro permita uma série de projetos coletivos, tais como antologias, círc…
badalada



olhar de tempestade
( a vida corre densa pelos becos vielas praças abrigos calçadas
tudo emerge na sede )
a vida e seus cascos de palavras e viagens
tipo credence best of
(poema vermelho - ls)
FLANAR ESTRELAS - Se algum livro me impressionou ultimamente, este livro é "A desumanização da arte", de Jose Ortega y Gasset. Não eixste ali, creio, o fechamento de uma idéia sobre a qual se deverá assentar a humanidade, mas a necessidade de uma reflexão permanente ao ofício da invenção e ao exercício do pensamento, seja ele qual for. A arte, venha ela das palavras, das tintas ou dos bemóis, sustenta o que se possa conceber enquanto exercício que se estende do racionalismo ao extremo dorso da pele. Enfim, um livro para uma leitura bastante apurada, bastante esfomeada para o que se possa dizer com elegância, com inteligência, com poesia...
TEORIAS DA LITERATURA - No prefácio do livro Teoria da Literatura 'Revisitada', de Magaly Trindade Gonçalves e Zina C. Bellodi, publicado pel…
Tinto Seco





Querido diário. Vírgula.
Novalinha. Sou um cidadão do
meu tempo. Ponto. Olho ao redor
e vejo que a esperança habita
somente os olhos de quem luta.
Ponto. Vejo tudo pelo olhar que
assusta. Ponto. Vejo a louca
entre a viagem e a musa. Ponto.
Ponto. Ponto. Vejo a vida difusa.
Ponto. Inconclusa. Ponto.
E ponto. Ponto.


(Tinto seco, poema do livro texto Sentido - LS)


OS MANOS DA LÍNGUA - Nos próximos números do Poesia sim, vamos fazer algumas incursões pela poesia contemporânea dos países de Língua Portuguesa. logicamente que o conceito de contemporaneidade não estará, por aqui, restrito às décadas que se aproximam deste início de século. Apesar da internet, ainda é muito débil o fluxo de informações e impressões trocadas entre poetas de países como Brasil, Angola, Moçambique, Portugal e outros. em alguns dos próximos números do Poesia Sim, vamos buscar encurtar essa distância para os nossos queridos leitores e queridas leitoras.


O POETA ANGOLANO ANTÓNIO JACINTO - Nasceu em Luanda, em 1924.Tev…
memória íntima



tua boca
universo de versos
que desenho sobre
o nada


é como um
pássaro no vôo


beleza distante
tatuada em mim

(do livro Texto Sentido - LS)


ANO NOVO, DE NOVO - Comecei 2011 com novas degustações de antigas emoções. Senti de perto a repulsa silenciosa sendo calada pelo acolhimento ruidoso. Meu peito iniciou o ano um tanto apertado, talvez ainda lembrando do meu cálculo renal que sempre se renova, como se a eternidade pertencesse às pedras. A história transborda em desafios. Sigamos em frente. Não há nada de novo. Somente mais uma manhã de um mesmo sol. Nós somos a diferença!


ANTOLOGIAS DA ZUNAI - Cláudio Daniel, quando esteve em João Pessoa, a convite do SESC, em dezembro, comentou acerca das antologias estaduais que a revista estava promovendo. Ontem, recebi e-mail do poeta e crítico Amador Ribeiro Neto, que teve a missão de selecionar 10 poetas paraibanos para a próxima antologia. Fico feliz por ter sido um dos escollhidos. Confira a próxima edição da Zunai, http://www.zunai.com.b…