sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

poeta interino






todo dia substituo um
cidadão de jeans san
dálias e cabelos gris
por um martelo e prego
        
sílabas no
branco da folha branca


      cada pan cada
   uma plêiade de me
        mória e lixo


todo dia
revelo o bêbado ocioso
que nada
.............nada
....................nada


e sempre é um rosto e
um nome ensacado em
minha pele


(do livro Texto Sentido, poema musicado e gravado por Patrícia Moreyra – LS)


I ENCONTRO DOS JOVENS ESCRITORES DA PARAÍBA – Neste sábado, DIA 15, às 15h, no Bar do Elvis (próximo ao Porteiro do inferno, no giradouro da UFPB), estará acontecendo o I Encontro de Jovens Escritores da Paraíba. Segundo o poeta Jairo Cezar, “O encontro, que será inicialmente informal, tem como propósito criar uma maior sociabilidade intelectual entre os jovens escritores da Paraíba, possibilitando assim a troca de informações, bem como de livros entre os futuros membros e/ou freqüentadores. A idéia é que futuramente este encontro permita uma série de projetos coletivos, tais como antologias, círculos de debates e eventos.” Para mais informações ligar para Jairo César (João Pessoa): (083) 8895 2705 e Bruno Gaudêncio (Campina Grande): (083) 8844 9131.


FEIRA LITERÁRIA DE BOQUEIRÃO – Convidado pela poeta Mirtes Waleska Sulpino, estarei participando de uma roda de diálogo sobre Literatura e Internet – o papel dos Blogs Literários no dia 26 de março, às 15 horas, em Boqueirão-PB. Esta edição da FLIBO terá como tema “Diversidade e Identidade Cultural: preservando os saberes e fazeres de um povo”. Também em março, a convite do Centro Educacional da Fundação Salvador Arena – CEFSA (ainda por confirmar), estarei em São Bernardo-SP, para ministrar oficina de poesia. No dia 19/03, estarei em São Paulo, no Sarau da Casa das Rosas.  Na última semana de abril participo do FestPoa Literária, em Porto Alegre, lançando o livro Poesia Sem Pele pela editora gaúcha Casa Verde. A agenda do início do ano, por enquanto, está posta.


POETAS DE LÍNGUA PORTUGUESA III – Neste post destacamos a poesia de Alda Espirito Santo, nascida em São Tomé em 1926. Sendo uma das mais conhecidas poetizas africanas de língua portuguesa, ocupou alguns cargos de relevo nos governos de São Tome e Príncipe, nomeadamente foi Ministra da Educação e Cultura, Ministra da Informação e Cultura e Deputada. Os seus poemas aparecem nas mais variadas antologias lusófonas, bem como em jornais e revistas de São Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique. Depois de publicar "O Jogral das Ilhas, em 1976, publicou em 1978 "É nosso o solo sagrada da terra", o qual é até ao momento o seu trabalho mais importante.

Angolares1


Canoa frágil, à beira da praia,
 panos preso na cintura,
uma vela a flutuar...
Caleima2, mar em fora
canoa flutuando por sobre as
procelas das águas,

lá vai o barquinho da fome.
Rostos duros de angolares1
na luta com o gandu3
por sobre a procela das ondas
remando, remando
no mar dos tubarões
p'la fome de cada dia.


Lá longe, na praia,
na orla dos coqueiros
quissandas4 em fila,
abrigando cubatas,
izaquente5 cozido
em panela de barro.


Hoje, amanhã e todos os dias
espreita a canoa andante
por sobre a procela das águas.
A canoa é vida
a praia é extensa
areal, areal sem fim.
Nas canoas amarradas
aos coqueiros da praia.
O mar é vida.
P'ra além as terras do cacau
nada dizem ao angolar1
"Terras tem seu dono".


E o angolar1 na faina do mar,
tem a orla da praia
as cubatas de quissandas4
as gibas pestilentas
mas não tem terras.


P'ra ele, a luta das ondas,
a luta com o gandu3,
as canoas balouçando no mar
e a orla imensa da praia.


(É nosso o solo sagrado da terra)

(1 - Angolar: grupo étnico são-tomense. Segundo a tradição portuguesa, sem confirmação científica, teria naufragado, em frente ao extremo sul da Ilha de São Tomé, um barco transportando cativos (1550). Estes, logrando alcançar a costa, teriam dado origem ao Povo Angolar. Admite-se, todavia, que os angolares tenham alcançados a Ilha por seus próprios meios, provenientes do Continente Africano; 2 - Caleima: ondulação forte do mar; 3 - Gandu: tubarão; 4 - Quissanda: tapumes feitos com folhas de palmeira; 5 - Izaquente: frutos cujas sementes são caracterizadas por um alto poder energético. – Fonte: http://betogomes.sites.uol.com.br/)

4 comentários:

Diário disse...

Lindo!!! Sou neta e filha de pescadores...Muito lindo esse poema!

Lau Siqueira disse...

Então vc sabe o quanto é doce viver no mar...

M E T A M O R F O S E disse...

Parabéns pelo blog.

Conheci seus poemas através do livro de coletâneas organizado pelo Frederico Barbosa e por Cláudio Daniel.

Seus textos e poemas são/estão de/em um nível extraordinário.

Seria uma honra, vez ou outra, conversar com você, verdadeiro poeta!

Abraços e sucesso!

Lau Siqueira disse...

Somos instrumentos da mesma metamorfose. Grato pelo carinho. Voltem sempre.