o galo







o silêncio
com suas equações
             de estrelas
abre os portais
da madrufgada

sob os olhos atentos
do infinito
um quarto de lua
empresta a partitura
                  ao galo


(do livro Sem Meias Palavras – lau siqueira)

OS DIREITOS AUTORAIS E O MINC - Preocupante a posição conservadora da ministra da cultura acerca dos direitos autorais no Brasil e, especialmente, em relação ao ECAD. O eCAD, como bem li em um artigo, é uma “aberração jurídica”. Por já ter tratado diretamente com esses senhores, compreendo muito bem que não se trata de uma instituição séria emais: o ECAD é um atentado aos direitos autorais. Uma instituição privada, criada na ditadura militar, certamente para enxer o bolso de alguns. Pois a ministra, parece, não quer discutir essa situação. Isso é sério demais para que o país fique calado. O movimento cultural cumpriu sua parte na campanha de Dilma. Dilma vacilou demais para escolher um nome para a Cultura. Mexeu onde não havia pressão política e desprezou os apelos do movimento cultural para que permanecesse o ministro Juca Ferreira. Reitero meu apoio ao governo da presidenta Dilma, mas ligo o sinal de alerta quanto á sua indicação para a cultura. Não vamos permitir retorcesso. Queremos ajudar o país e não vamos ficar parados assistindo ao circo pegar fogo. Se a ministra da cultura se mantiver na contramão da história que foi construída no governo Lula, o movimento cultural precisará se posicionar.

O LIVRO E A LEITURA – O debate sobre o livro e a leitura foi dos últimos a ser incorporado pelo Ministério da Cultura. No início me pareceu clara o esquecimento dos autores nesse debate. Uma coisa, aliás, que foi absorvida com naturalidade pela maioria dos escritores que, cá pra nós, não consegue se articular. Chamamos a atenção para que as vaidades pessoais não se sobreponham aos avanços em torno do reconhecimento desta atividade. Discutir política para o livro sem discutir o leitor (política de leitura) e o escritor (a criação literária) é abrir mão da essência do debate e entregar os pontos, favorecendo apenas o já milionário e fechado mercado do livro. As políticas públicas para o livro devem respeitar o leitor, facilitanto o acesso ao livro. Quando o presidente Lula resolveu, acertadamente, eliminar os impostos para baratear o livro, tinha intenções nobres. O trato era baratear o preço de capa e a criação do Fundo Nacional do Livro e da Leitura. Passaram-se sete anos e nada disso foi cumprido pelos barões editoriais.


POEMA DE ALEXANDRE BRITO






a língua
é uma serpente sem pele e sem dentes


emblemática
morde a si mesma com as gengivas de um velho diabo

já foi minha vizinha
mas no mês passado mudou para endereço ignorado
não bate bem do firmamento
tem a cabeçca cheia de vocábulos

a víbora linguística diz
que do pensamento é o substrato


no ápice do eclipse
em nominar o inonimado insiste


e só não é deus não porque não quer
mas porque ele não existe

(metalíngua, livro do poeta gaúcho Alexandre Brito, publicado pela éblis)

Comentários

Rosa Mattos disse…
Com licença, poeta. Estive aqui e li alguns de seus poemas.

Não quis sair sem deixar-lhe algumas palavras "num traço delicado e denso".

Leitura do 'galo' e comentário de 'algumas palavras'. (risos)

Meus cumprimentos/!
Tiago Furtado disse…
Bons textos passa no meu :)
anazézim disse…
essa minha lua nova já anda cheia de tua poesia: viciante!
Lau Siqueira disse…
Passo no teu sim, Tiago. rsrsrs
A lua é sempre um poema pendurado no céu, feito pandeiro de prata,Anazezim.

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