segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

tese de garimpo


(a morte não mede
             motivos
   nem acende
a coragem de beber
os olhos da sede)


(poema vermelho – lau siqueira)


CAOS E LETRAS - Mais uma boa publicação on line nos revela que a literatura contemporânea não apenas bebe na fonte, mas muito especialmente cumpre um traçado muito significativo na web. Cada vez mais vamos dissipando os preconceitos contra a literatura que explodiu na net, especialmente nos últimos dez anos. Ignorar a influência disso tudo nos processos criativos futuros é uma aberração. Seria como condenar ao passado o futuro da literatura. Mas, infelizmente esta é uma realidade. Com muita convicção, o blog Poesia Sim indica: conheça a revista Caos e Letras: http://i.webenviador.net/b/109124X200924428


“UMA AMEAÇA RONDA A WEB” I - Os cursos de Letras revelam uma realidade bastante curiosa. Enquanto alguns professores se mostram antenados com o que a literatura está experimentando no mundo inteiro, a partir da web, outros (penso que a maioria) ignora solenemente o que vem sendo produzido por escritores iniciantes e consagrados, nas bilhões de páginas da web. O risco de frear a história, no entanto, não existe. A realidade da literatura por esses dias e noites, não se sustenta na negação do que há de mais concreto. A literatura é uma das mais densas e concretas expressões da existência de vida no planeta Terra e, atualmente, das mais expressivas realidades do mundo virtual.


“UMA AMEAÇA RONDA A WEB”II - Ao contrário do que pregam alguns pastores de sombras, estamos vivendo um dos momentos mais ricos da história da literatura. Afinal, o maior escritor de língua portuguesa de todos os tempos pode estar inaugurando seu blog exatamente hoje. E não há política literária, por mais reacionária e empolada que seja, capaz de impedi-lo. Isso é o máximo! E se ele tem 19 anos, o que importa? Foram os escritos da juventude que consagraram Rimbaud.


“UMA AMEAÇA RONDA A WEB” III - “Conforme N. Katherine Hayles, no livro Literatura eletrônica – novos horizontes para o literário, ‘a literatura do século XXI é computacional’.” Esta citação foi extraída do artigo “A relevância dos blogs para a poesia contemporânea”, de minha autoria e publicado no jornal Contraponto, no blog Pele Sem Pele, http://www.lau-siqueira.blogspot.com/ e na minha coluna do site Cronópios: http://www.cronopios.com.br/site/colunistas.asp?id=4886 é um tema que será melhor desenvolvido nos próximos textos.
Este

UM MINICONTO DE CLÁUDIO B. CARLOS (CC)


"Eu gostava de ver. Sentia uma espécie de gozo, que só experimentava quando via o sangue escorrendo pelo pescoço rasgado. O capim ficava salpicado de um vinho forte. As folhas dos eucaliptos, que secas, eram trazidas pelo vento, se borravam de sangue. O brilho que sumia, aos poucos, dos olhos amendoados, arrepiava-me. Eu gostava daquele espetáculo. Não era por mal. Eu não sabia que era um menino mau. Ficava ali, acocorado, bem perto, vendo a ovelha dependurada pela perna. Eu não sabia muito bem o que acontecia, não imaginava que era ela, a vida, que se esvaía. Hoje em dia é bem melhor: além de ver o sangue que escorre, posso, às vezes, sentir a alma saindo dos corpos. Não via isso nas ovelhas: bicho não tem alma..."
(Do livro O uniforme. *Cláudio B. Carlos (CC) é poeta e prosador, nascido em 22 de janeiro de 1971, em São Sepé-RS. Desde 2005 publica na internet. Em 2010 criou O Bodoque, grupo de escritores. Publicou os livros Um arado rasgando a carne (2005) e O uniforme (2007). Contato: claudiobcarlos@gmail.com.)

6 comentários:

☆Anjo☆ disse...

Oi Lau, fortes palavras sobre a morte! Um grande abraço pra ti! bye bye
Será que um dia desses vc podia ler alguma coisa minha e me dizer o que acha?!
Só um empurrãozinho...De aprendiz de poeta para grande poeta!!!! bjs

MOLHO LIVRE disse...

Uma bela alegria conhecer seu blog!
É um prazer ler sua literatura cheia de significados!

Se quiser ver meu blog o endereço é:

http://www.molholivre.blogspot.com/

Lau Siqueira disse...

anjo, sim... vamos trocar umas idéias se quiser. Mas, desconfie do que eu possa dizer... rsrsrs Pois é, a palavra morte é muito forte, muito cheia de canções definitivas.
Molho Livre, vou ver como se conduz o seu tempero. abs

Susanna disse...

Maravilha isso o que diz. Vai ser um dos meus motes das aulas que ando preparando para a Pós aqui. "Poesia Contemporânea: quem é? e onde está?" A difusão dos meios de expressão hoje democratizou e tornou bem mais simples a forma como uma boa literatura esteja sendo feita (vai saber...), meio escondida nos nós das redes sociais, a que muitos chamam de passatempo besta, coisa de quem não tem nada o que fazer. Seu texto na Cronópios fica como uma referência a buscar outra... Thanks! Beijo!

Lau Siqueira disse...

Susanna, seus comentários sempre enriquecem o blog. Certa vez, num desses eventos do Itaú Cultural, escutei de uma conhecida antologista que ela realizava antologias a partir dos livros que chegavam às suas mãos. Fiquei triste pois pensei que se tratava de uma pesquisadora. Ainda acho que a antologia Na Virada do Século é uma das mais importantes, porque resultou de uma pesquisa que não passou pelas grande editoras e chegou a publicar, também , poetas importantes, mas inéditos em livro.

Wilton Cardoso disse...

Concordo contigo, e as editoras também não estão nem aí com a literatura. Eu mesmo desisti de procurar editoras pra publicar e resolvi fazer por conta em PDF e em blogs: colocou na net já está publicado e distribuído, mesmo que seja uma agulha num palheiro de chips. E o bom da net é que o filtro é a posteriori, pois publica quem e o que quiser e depois é que os leitores selecionam. Creio que a academia deveria fazer este papel de garimpagem literária na net - mas estão ocupados demais com o passado ou a política interna... Paciência, o que nós, poetas, temos que fazer é fazer poesia o melhor que pudermos.
Abs
p.s. meus blogs, caso alguém interesse:
http://minutosdefeiticaria.wordpress.com/
http://vidamiuda.blogspot.com/