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sábado, 12 de março de 2011

balão de ensaio







sobre o poema
despejo silêncios e
                   abalos


(na insacialidade
do tempo


na permanência
do efêmero) na


certeza que duela
com o sopro

e namora com
o vento



(poema vermelho – lau siqueira)


MODERNIDADE PRIMITIVA
Tenho pensado no que vem sendo classificado como “literatura digital”. Tenho sérias desconfianças acerca desse prazer inexplicável de nominar tudo, de classificar as mais diversas mansifestações da raça humana, seja na arte, na ciência ou no pensamento. Na verdade, tudo me parece bem antigo. Até mesmo o chip que será responsável pela transmissão desse texto para os mais diversos lugares, onde será compreendido (ou não) sem maiores reflexões sobre o suporte que o sustenta.


MODERNIDADE PRIMITIVA
Principalmente entre os séculos XIX e meados do século XX os escritores publicavam em primeira mão os seus textos nos jornais. Muitas vezes livros inteiros. Cada capítulo numa edição. Neste sentido, podemos até acreditar que não mudou muita coisa. Afinal, não são poucos os livros que são extraídos diretamente dos blogs. Apenas, ficou mais democrático. Afinal, cada um de nós pode ter um blog, mas não era assim com os jornais. O nosso tempo é o tempo dos que ainda acreditam que o mundo e a arte caminham pelo mesmo caminho, mesmo que muitas vezes em sentidos opostos.

DETALHE - Literatura digital x literatura impressa. Esse jogo não é um a um. O fetiche do livro ainda está longe de desaparecer (ainda bem). Qualquer dia aparece um cientista fazendo papel de garrafa peti.


O FIM DA HISTÓRIA
A literatura brasileira vem resistindo bravamente alguns levantes e quarteladas professorais dos que não compreendem o seu próprio tempo. Vivemos na era das velocidades. Parece que as pessoas perderam a noção que somos bem pequenos... tão pequenos que morremos um pouco cada vez que acontece uma tragédia como esta, do Japão.


VEM AÍ A SEGUNDA FLIBO
No próximo post vamos fazer uma abordagem especial sobre a Festa Literária de Boqueirão, onde estarei numa mesa com o poeta Jairo Cezar discutindo exatamente blogs e literatura contemporânea.

POEMA DE MANUEL BANDEIRA


Quando minha irmã morreu,
(Devia ter sido assim)
Um anjo moreno, violento e bom – brasileiro


Veio ficar ao pe de mim.
O meu anjo da guarda sorriu
E voltou para junto do Senhor.


(O Anjo da Guarda, poema de Manuel Bandeira, na sétima edição da sua antologia poética, publicada pela saudosa Livraria José olympio Editora, rio, 1974)

5 comentários:

Rosa Mattos disse...

Despejar silêncios e abalos sobre o poema... que interessante efeito visual causa ao leitor.

Parabéns, poeta.

Lau Siqueira disse...

Grato, Rosa. agora eu sei que este poema existe.

Sonhos Crônicos disse...

Lendo os teus textos tava lesando cá comigo...


E se despejássemos poemas no copo?
Os livros - arte plástica -
seriam garrafas peti...

¬ ¬
__


Coisa horríver...

Pois é, Lau, de tudo hoje é dia. dá poesia...

Abração!

☆Anjo☆ disse...

Oi Lau, como sempre me emociono com suas palavras doces! Lindo poema Balão de ensaio!
Ótimo início de semana pra vc! Beijinhos... Se puder passa no meu blog pra comentar sobre o Conto que comecei a escrever! Bye bye

Lau Siqueira disse...

Sonhos crônicos, claro que é possícvel. Já publiquei até em camisinha. Lá em Porto alegre, vi haikais em caixas de fóstoros, tenho poemas em adesivos, camisas... claro que é possível.

Anjo, já vou lá na sua núvem... beijos!