cabaceiras






nos joelhos toscos do granito nas
cuias secas e nos coquetéis do mormaço
somente os cactos resistem aos camaleões
de empório sempre sempre sempre
sempre alumbrados com seus piercings


veemências trincadas no nicho tatuado
do umbigo ( ) consumado ato
do exercício ximango – blindagem
                                   do gibão e do rap


como um oceano invisível
impassível meu canto delata a perenidade
                                           dos pássaros




nas sobras dormidas do cangaço
registro o desabrigo da pele


(poema do livro Texto Sentido, Ed. Bagaço-PE, 2007 – lau siqueira)


DETALHES DO MODERNISMO
Logicamente vai aqui uma referência ao excelente blog Retalhos do Modernismo, cujo link pode ser encontrado no Poesia Sim. Todavia, meu desejo é destacar um fato que li recentemente no livro de Neide Rezende, A Semana de Arte Moderna, publicado pela Ática. Segundo Neide, um dos episódios mais divertidos da Semana de 22 foi a apresentação de Villa-Lobos. Ele subiu no palco de casaca, conforme o rigoroso figurino da época, mas de chinelos. “Achava-se ele na ocasião atacado de ácido úrico nos pés e tendo um deles enfaixado, apoiado em um guarda-chuva, entrou em cena”, conta a violinista Paula d’Ambrósio.

BLOGS E CÂNONES
Li recentemente (e concordo) que o cânone do século XXI passará necessariamente pelo que se chama de “literatura eletrônica”. Aliás, nada mais óbvio, uma vez que a imensa maioria dos livros hoje publicados também são arquivos digitais. Mas, também li que na literatura não existe a evolução que existe na ciência e na tecnologia. Por exemplo, as duas grandes epopéias que inauguram a literatura ocidental na Grécia antiga, ainda são duas grandes referências da literatura universal. O teatro grego, somente foi igualado (talvez) na era elisabetana, com Shekespeare. Portanto, não vamos inventar a roda. Vamos fazê-la andar mais rápido.

RETROCESSOS E RESISTÊNCIAS
Mas, o mercado do livro evoluiu! Sim, evoluiu em termos de concentração da sua lucratividade. As pequenas livrarias estão condenadas. A boa literatura (especialmente a contemporânea) está banida nos shoppings, onde se concentram as grandes redes de livrarias. Ano passado, na Livraria Saraiva do shopping Brasil, em Brasília, constatei que o espaço para a poesia brasileira não passava de um palmo na prateleira. O mesmo espaço foi reservado para a poesia estrangeira. Enquanto isso, em Lisboa, existe livraria especificamente destinada à poesia.

RETROCESSOS E RESISTÊNCIAS (I)
Segundo o livro Retratos da Leitura no Brasil, organizado por Galeno Amorim (hoje presidente da Biblioteca Nacional), vem crescendo o número de leitores no Brasil, embora ainda sejamos subdesenvolvidos quanto a medida “livro per capta” anual. Desta forma, considero que os eventos literários são armas fundamentais para despertar nos mais distantes rincões brasileiros, o gosto pela leitura e o amor pela literatura. Semana passada a cidade de Boqueirão, no Cariri paraibano, realizou uma “Marcha pela Literatura”, dentro da Feira Literária de Boqueirão – II FLIBO, envolvendo escritores, professores e alunos das escolas públicas do município. Portanto, vamos defender estas iniciativas espalhadas pelo país. Precisamos de mais diálogo e menos vaidade.

POEMA DE MÍRIAM DE CARVALHO




Meu cofre de bordados, dentro de si
guardando o que desejo mostrar:


Minhas perdas-e-danos
Meus pecados.


Meu anel de vidro.
Que não se quebrou.

(poema do livro Teia dos Labirintos, de Miriam de Carvalho, publicado pela Escrituras.)

Comentários

Keteriane disse…
Parabéns pelo seu sucesso que teve na vida, e o talento que tem na poesia, muito bacana de sua parte divulgar poemas de outras pessoas, esse da Mirian, singelo e nostalgico.Saudações.
Lau Siqueira disse…
Grato, querida. O verdadeiro sucesso é seguir em frente, não se submeter aos que acham que podem tudo, resistir sempre... não abrir mão da poesia, jamais! São belos, realmente, os poemas de Mirian de carvalho.
Adriana Bandeira disse…
O desabrigo da pele é o segredo da palavra, invenção do tecido que oculto, ainda fala.
E não estamos, quando ausentes da letra, em cobertas macias?Afinal,é a escrita a carne viva.
belíssimo poema, Lau.
grande abraço
adriana bandeira

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