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quarta-feira, 16 de março de 2011

teia


então fui diluindo a loucura
ao compreender que a nascente
de tudo era um caos

urbano e diurno

aprendi a velejar pelas calçadas
como uma sombra entre sombras

                  sem inventar rastros
ousei vestir os sapatos da morte
e revelar-me ao círculo visceral
da existência

nem fui o
insano ou o decrépito humano

apenas despi a coragem e vivi
sem pele a lapidação da alma

perdi o que
não era essência

                      e agora
                      pleno de mim
                      não sei nem sou
 
(do livro Texto Sentido, Ed. Bagaço-PE, 2007. LS)

SARAU NA CASA – Os amigos e amigas do Poesia Sim que residem em São Paulo estão convidados para mais um sarau promovido pela Casa das Rosas. Desta vez com participação minha e do poeta Amador Ribeiro Neto, como convidados. A parte musical do evento fica por conta de André Parisi e Léo Nascimento. Neste sábado, na Casa das Rosas, Avenida Paulista, 37, próximo à Estação Brigadeiro do Metrô. Existe um estacionamento conveniado, na Alameda Santos, 74. Maiores informações pelos fones (011) 3285.6886 e 3288.4477. Entrada Franca. Maiores informações no link da Secretaria de Cultura de SP.

LER POEMAS - Algumas vezes fico observando a facilidade com que alguns poetas decoram e lêem seus próprios poemas ou poemas de outras pessoas. Infelizmente, não tenho essa facilidade. Ler meus poemas, ainda é um desafio que se renova cada vez que aparece uma chance como esta da Casa das Rosas. Até porque trabalho, algumas vezes, com ritmos não muito convencionais. Mas, estaremos lá, gaguejando o mínimo possível, com as mãos suadas, esperando o gongo e as descobertas boas que herdamos de um momento como este. Pela participação no evento, sou imensamente grato ao poeta Frederico Barbosa, pelo convite e pela imensa importância que dá à minha poesia tão minúscula.

II FLIBO – Vem aí a segunda edição da Feira Literária de Boqueirão – a II FLIBO. Um evento que nos mostra o quanto a literatura impulsiona o desenvolvimento social, econômico, cultural, educacional. Um achado para um município como Boqueirão. Também estaremos lá falando sobre blogs e literatura, dividindo a mesa com o amigo poeta Jairo César, com mediação da escritora de Boqueirão, Magda Vanusa. O evento será aberto dia 24, com palestra do escritor paraibano Bráulio Tavares. O Evento terá como escritor homenageado o também paraibano Ariano Suassuna. Nas próximas edições estaremos comentando a programação. O evento conta com a articulação de uma escritora que admiro muito: Mirtes Waleska.

UM POUCO DE ORTEGA Y GASSET
“O importante é que existe no mundo o fato indubitável de uma nova sensibilidade estética*." 
*Essa nova sensibilidade não se dá só nos criadores de arte, mas nas pessoas que são apenas público. Quando eu disse que a nova arte é uma arte para artistas, eu entendia por tais não só os que produzem arte, mas sim os que têm capacidade de perceber valores puramente artísticos.”
(do livro A desumanização da arte, de José Ortega y Gasset. Editora Cortez, 6ª edição)


3 comentários:

☆Anjo☆ disse...

Lau, poema maravilhoso como sempre!
"... Não sei nem sou."
Essa parte me define hj, perdida ando!É sempre um prazer apreciar seus poemas! Bjs e bye

Adriana Bandeira disse...

Oi Lau
Não saber e não ser é parte do que nos cabe se o desejo é andar.Mas não gosto muito de comentar poema no seu sentido racional.Até porque não existe isso numa poesia.Gostaria de falar do ritmo do teu poema que sugere sim um andar diferente, uma falta de pausa sendo ela mesma, a falta, a própria respiração.Se estivessemos falando de ballet eu diria que é uma coreografia não de saltos mas de solo,ou seja, uma respiraçção de corpo.
linda poesia!
beijo grande
adriana bandeira

Lau Siqueira disse...

Anjo, melhor andar perdida que equivocada. E quem pode ter certeza de algo?

Adriana, cada poema precisa ser também a sua contradição. Estabelecer-se em fórmulas de comprovado sucesso em termos de compreensão do poema, me parece, não pode ser o objetivo do poeta. No poema, o que vae é o duelo com o leitor que, na verdade, é quem fecha o cerco na definição do poema. Todo poema que se preze é uma obra aberta. beijos