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Mostrando postagens de Abril, 2011
memorial
da lua





a madrugada
recolhe pequenos
ruídos do vazio


ecoa no medo
dos que dormem
ao relento


neste dia
que nunca
amanhece

(poema vermelho – lau Siqueira)


PORTO ALEGRE - Viajo na próxima terça, dia 3 de maio, para Porto Alegre, onde lanço livro dia 5, às 20h, na Casa de Cultura Mário Quintana. Na verdade a minha poética realidade exige que as coisas sejam ajustadas dentro do bom senso, para o deleite das minhas necessidades. Depois de mais de dez anos com apenas 15 dias de férias, a ida ao sul alia-se com motivos vários. O principal deles, rever minha família. O lançamento lá é conseqüência disso tudo. Breve, por aqui, informo horário e local.

LANÇAMENTO EM CURITIBA - Em Curitiba o lançamento acontecerá num local bacana, criado por artistas para convivência de artistas e intelectuais curitibanos. Será no Brooklyn Café http://www.brooklyncoffeeshop.com.br/site/?page_id=2 . No mesmo horário e local vai acontecer, também, o lançamento do jornal Memai, de Cultura Japonesa. Sou extremamente gra…
flores da pele




como um jardineiro que vai moldando
os espaços de beleza em uma casa antiga
vou escarpindo meus olhos sobre as vestes
do que despe uma manhã de sanidade pouca
num mundo em eterna convulsão


não sei de onde virão as palavras que
somam-se aos ventos no movimento das flores
que de tamanha volúpia e beleza disputam
presença com o hálito das formigas


são renais as pedras que cobrem o estrumo
de saberes mal digeridos e que a todo instante
bocejam com os impulsos do ar que movimenta
folhas espalhadas pela calçada


na espera de uma colheita que as removerá
como um entulho de uma beleza que nunca
espelha seus motivos

(poema vermelho – lau siqueira)

NOVAMENTE SOBRE OS POEMAS VERMELHOS - Sempre repito por aqui mesmo para que nunca esqueça. Criei este blog para um exercício de permanente tentativa do poema. Não se trata de um espaço de fruição, apenas, com a leitura de qualquer genialidade que não existe nos meus processos. No entanto, escrever e publicar poemas por aqui tem se traduzido numa per…
eter na mente





milhas e milhas contidas
nos ombros arqueados

sem os ritos do horizonte


era como se fosses
um vento leve
em plena tempestade


colhendo as folhas secas 
para o abrigo dos pássaros


a vida cumprida aos talhos
na pele desvestida
do tempo

caminho áspero
e sem volta


eterno ir e vir
de luas e sóis


num sumidouro de ecos
do silêncio


(poema vermelho – lau siqueira)


REVISTA SERROTE - Recebi da amiga, poeta e artista visual, Constança Lucas, um belo exemplar da revista Serrote - ensaios, artes visuais, idéias e literatura. Neste número, muito me impressionou o ensaio de Beatriz Sarlo, “O animal político na web”. (“usando a lógica do boato, o twitter e o Face book espelham uma sociedade cuja memória coletiva sofre de Alzheimer.”) Uma reflexão importante para o nosso tempo. Também recebi um belíssimo exemplar do livro O Leque, de Dora Ferreira da Silva que recomendo para uma leitura plena de delicadezas.

EU APÓIO CHICO CESAR! - Todo apoio ao grande camarada Chico Cesar, secretário de cultura d…
esquizofreminha

(em memória da Dra. Nise da Silveira)




não há parapeito na janela
nem estilo no tempo desvestido
                             das paredes


o aluar da grade não algema o
olhar do assombro


tranca o lado de fora no lado
de dentro


e o delírio jamais adormece
nesta camisa de sopro


(poema vermelho – lau siqueira)

POESIA SEM PELE– lançamento em João Pessoa dia 18/05 – Será preciso muita paciência com este blog nos próximos meses. Os próximos passos serão de promoção dos lançamentos que farei nos diferentes lugares ou mesmo da possibilidade de venda on line do livro. A única forma de distribuição será por aqui, em algum link a ser criado. Na verdade, comecei esse processo pelo final e agora estou acertando detalhes do meio e do começo. Meu livro será lançado dia 5 em Porto Alegre em local e horário ainda a ser definido. O que já posso dizer concretamente é que  aqui em João Pessoa será lançado dia 18 de maio, às 20h, no pátio da Colônia Juliano Moreira, na avenida Pedro II, na Torre…
refrão





os ventos são algazarras
do infinito
em nossos cabelos gris




(bis)

(Poema do livro Texto Sentido – ed. Bagaço-2007 – lau siqueira)


LANÇAMENTOS EM MAIO - Coloquei no Facebook e fiquei bastante surpreso com a boa receptividade acerca dos lançamentos do meu quinto livro de poemas, em maio, pelo selo gaúcho Casa Verde. Depois deixo aqui no blog os detalhes, mas por enquanto posso dizer que na primeira quinzena de maio estarei lançando o meu Poesia Sem Pele, com prefácio de Susanna Busato, em Porto Alegre, Curitiba, São Paulo e devo lançar em João Pessoa no dia 18 de maio, durante a programação da Semana de Luta Antimanicomial. O lançamento de João Pessoa deverá fazer parte de uma programação que terá ainda Babilak Bah, Arnaldo Antunes, Giga Brown e outros artistas.
LITERATURA ON LINE - Por mais que ainda existam vozes resistentes a internet fima-se cada vez mais como um importante canal de debates literários, linguísticos e de divulgação da literatura contemporânea e mesmo dos clássicos…
impuro





ruídos duma
colheita diurna


risos e cantos
do passaredo


no espanto
no medo


do silêncio
que não escuto

mesmo mudo




(poema vermelho – lau siqueira)

127 ANOS DE AUGUSTO DOS ANJOS - Confira no blog Escritos no Ônibus, do poeta e amigo Jairo Cezar, a programação completa do V Celebrando os Anjos de Augusto, em Sapé, terra natal do maior poeta paraibano. Todo o nosso apoio a iniciativas como esta que fazem viva a poesia brasileira! Estaremos por lá, com certeza. Viva Augusto! Viva o poeta Jairo Cezar - mais que um poeta de ampla militância literária, um guerreiro da vida. Dia desses conto por aqui sua saga na implantação do Memorial Augusto dos Anjos. Emocionante!


CONSTELAÇÕES - Algumas alegrias deste século que se inicia são inconfundíveis. Uma delas é a percepção de termos muita qualidade estética brotando em blogs e redes sociais, seja na música, na literatura, nas artes plásticas, artes cênicas... Aos desatentos, podemos afirmar que um outro cenário está posto na arte brasileira e mundial. …
cobaia








não existem
feridas que não
cicatrizem


mas a marca
funda de um olhar
                amargo


dói como a dor
de um bicho
esmagado


(poema do livro O Comício das Veias, Ed. Idéia-PB, 1998 – lau siqueira)

LEITURA E SEDUÇÃO NAS OFICINAS - As oficinas de leitura devem provocar, sobretudo, algum tipo de sedução partilhada. Ler um poema ou um bom texto literário é atender a necessidade sempre urgente de recriá-lo. A boa literatura nunca se revela por inteiro. A criação literária enquanto processo aberto substitui o dito pelo sugerido. O ato criativo deverá estar em aberto, a espera de um outro olhar que virá para reinventá-lo e complementá-lo. A leitura deve,portanto, estimular o pensamento crítico e não estimular um mito e promover um distanciamento estéril entre autor e leitor.
LEITURA E SEDUÇÃO NAS OFICINAS (I) - Toda obra de arte é aberta: um elo interativo entre autor e "leitor". Ou então, não será literatura, não será poesia, não será arte... Por isso, ensinar a paixão pela leit…