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sexta-feira, 1 de abril de 2011

cobaia








não existem
feridas que não
cicatrizem


mas a marca
funda de um olhar
                amargo


dói como a dor
de um bicho
esmagado


(poema do livro O Comício das Veias, Ed. Idéia-PB, 1998 – lau siqueira)

LEITURA E SEDUÇÃO NAS OFICINAS - As oficinas de leitura devem provocar, sobretudo, algum tipo de sedução partilhada. Ler um poema ou um bom texto literário é atender a necessidade sempre urgente de recriá-lo. A boa literatura nunca se revela por inteiro. A criação literária enquanto processo aberto substitui o dito pelo sugerido. O ato criativo deverá estar em aberto, a espera de um outro olhar que virá para reinventá-lo e complementá-lo. A leitura deve,portanto, estimular o pensamento crítico e não estimular um mito e promover um distanciamento estéril entre autor e leitor.

LEITURA E SEDUÇÃO NAS OFICINAS (I) - Toda obra de arte é aberta: um elo interativo entre autor e "leitor". Ou então, não será literatura, não será poesia, não será arte... Por isso, ensinar a paixão pela leitura é, sobretudo, despertar para a capacidade humana de criar criticamente e de reinventar-se permanentemente diante do que está posto. Talvez por isso Antônio Cândido tenha afirmado que a literatura é um dos direitos humanos. Portanto, para despertar a paixão pela leitura e, especialmente, pela literatura, as escolhas são determinantes.

AO CORO DOS CONTENTES - Para ocupar espaços na vida, não pago o preço de ficar calado. Meu silêncio é uma balbúrdia de violentas delicadezas e cálidas truculências. Minha vaidade não cabe no espelho da minha alma libertária. Não fomento injustiças para permanecer aceso aos olhares do mundo... Somos feitos de pequenos e grandes gestos, pequenos e imensos afetos. O poder é sempre o que nos falta para decretar a alegria coletiva. A poesia é um fio de navalha por onde caminho seguro e descalso...

FESTIVAIS DE LITERATURA - Depois do sucesso da II FLIBO, realizada numa cidade de 15 mil habitantes no Cariri Paraibano, brotam as notícias sobre um evento literário em Curitiba, Zoona Literária. Os festivais de literatura estão aí. Precisamos comentá-los, divulgá-los, apoiá-los. Estando ou não nas programações. Naturalmente está havendo um “levante” contra os interesses sempre tão localizados do mercado do livro. Além das mesas de debate, existem as mesas fartas. Em Boqueirão comi uma das mais deliciosas peixadas de todas a minha vida, na beira do açude. No cardápio estava escrito, “peixada compreta”. Os festivais de literatura não irão melhorar a culinária, mas certamente podem intervir positivamente nos cardápios.

POEMA DE BRUNO GAUDÊNCIO




Fica o dito
pelo maldito.

(poema Adágio Baudelaireano, do livro Ofício de Engordar Sombras. Sal da Terra, 2009. Bruno gaudêncio é um dos bons nomes da nova geração da poesia paraibana. Edita a Revista Blecaute de Literatura e pertence ao Núcleo Caixa Baixa e ao Núcleo Blecaute de Literatura)

5 comentários:

Daniela Ilges disse...

OLÁ PESSOAL!
QUEM GOSTA DE ESCREVER, POR FAVOR, PARTICIPE DA PESQUISA ABAIXO. ELA FOI REALIZADA POR ALUNOS DA CADEIRA DE ESTÁGIO I, DA UNIVERSIDADE FEEVALE. AGRADECEMOS SUA PARTICIPAÇÃO!

SÃO APENAS DUAS PERGUNTAS RÁPIDAS:

...https://spreadsheets.google.com/viewform?hl=pt_BR&formkey=dENhS3ZhX3lfOEM4cnBsLUVha3JUSXc6MQ#gid=0

Muito Obrigada!
Daniela Ilges

☆Anjo☆ disse...

Oi Lau!!!!!! Espero mesmo que todas feridas cicatrizem!!! Lindo poema!
Saudades de passar por aqui, desculpe o meu sumiço...

Um ótimo início de fim de semana pra ti!!! Beijinhos, bye bye

Dina disse...

Maiakovski é um gato. Tu tem o MSN dele ou Orkut, Lau?

Adriana Bandeira disse...

ferida não tem fim...é ela que costura tecidos,que amassa o pão,que escreve poesia.Afinal, estamos com as bordas recortadas, ainda sangrando,destacados do resto, como pedaço humano.
beijo Lau
Adriana bandeira
http://indecentespalavras.blogspot.com

Sonhos Crônicos disse...

A "literatura está em perigo", mas era para ser o inverso, pra não dizer o avesso.

A literatura deveria por em perigo conceitos com ou sem seus prefixos.

Deveria ser servida como um peixada, pescada em açudes de texto. Da arte culinária aí seria o gosto de cada um, mas ao menos deveria ser oferecido o prato.



Vendo seu poema só me lembrei de olhar pra noite, essa olheira do sol.

O tempo tem cicatrizes que os ponteiros não deixam esquecer...