sábado, 16 de abril de 2011

esquizofreminha

(em memória da Dra. Nise da Silveira)




não há parapeito na janela
nem estilo
no tempo desvestido
                             das paredes


o aluar da grade não algema o
olhar
do assombro


tranca o lado de fora no lado
de dentro



e o delírio jamais adormece
nesta camisa de sopro


(poema vermelho – lau siqueira)

POESIA SEM PELE – lançamento em João Pessoa dia 18/05 – Será preciso muita paciência com este blog nos próximos meses. Os próximos passos serão de promoção dos lançamentos que farei nos diferentes lugares ou mesmo da possibilidade de venda on line do livro. A única forma de distribuição será por aqui, em algum link a ser criado. Na verdade, comecei esse processo pelo final e agora estou acertando detalhes do meio e do começo. Meu livro será lançado dia 5 em Porto Alegre em local e horário ainda a ser definido. O que já posso dizer concretamente é que  aqui em João Pessoa será lançado dia 18 de maio, às 20h, no pátio da Colônia Juliano Moreira, na avenida Pedro II, na Torre, no dia da abertura da Semana de Luta Antimanicomial.

O PORQUÊ DA ESCOLHA
- Sempre penso nisso: somos produto das nossas escolhas! Certamente houve quem questionasse esse lançamento em João Pessoa ou até quem achasse graça. Mas, minha decisão é irrecorrível e isso não tem graça nenhuma. Estou inserido na produção de alguns eventos programados para a Semana de Luta Antimanicomial. Entre eles um show de Arnaldo Antunes ou Tom Zé, oficinas de Giga Brown, Babilak Bah, show de Sacal, Escurinho e Babilak, juntos... palestras e outras atividades. O lançamento do meu livro estará nesse contexto e está inserido nesta luta que não é só minha nem é de hoje.


A LUTA ANTIMANICOMIAL
– Tenho uma referência forte na luta antimanicomial: a Dra. Nise da Silveira, uma psiquiatra nascida em Alagoas, ex- aluna de Carl Jung que em 1952 fundou o Museu de Imagens do Inconsciente. A Dra. Nise foi um marco nesta luta, posicionando-se firmemente contra os métodos da psiquiatria tradicional que vai do confinamento ao eletrochoque, da insulinoterapia à lobotomia. Denunciada por uma enfermeira pelo fato de possuir livros marxistas, Dra. Nise acabou na prisão em 1936. Detalhe: ela foi para o presídio Frei Caneca, onde se encontrava Graciliano Ramos. Daí ter se tornado uma das personagens do livro Memórias do Cárcere. Minha decisão de lançar o meu Poesia Sem Pele na Colônia Juliano Moreira se deu em conversas com militantes da luta antimanicomial, inclusive a diretora da Colônia Juliano Moreira, Dra. Flávia, uma personalidade fundamental nesta luta. A minha poesia nunca foi engajada, mas a minha postura diante do mundo, sim. Na verdade, o que está doente e precisando ser internado e lobotomizado é o sistema que produz a loucura de cada esquina.


DEMAIS LANÇAMENTOS
- Claro que não será fácil nunca! Não tenho patrocínios e vou confiar nas possibilidades de vender o livro para não ter grandes prejuízos, também. Para isso conto com os amigos e amigas e com as pessoas que de alguma forma ou de outra admiram a minha poesia e não se furtarão em investir R$ 20,00 para levar para casa o Poesia Sem Pele. aliás, a edição que está sendo preparada pela Casa Verde está ficando belíssima. Vou viajar para os lançamentos previstos com recursos próprios, parte do percurso de ônibus, parte de avião. Vou me hospedar na casa de parentes e amigos e me alimentar com moderação financeira para que sobre algum pro vinho. Ainda falta marcar hora, dia e local em Curitiba que a poeta Marília Cubota me informa que será entre os dias 7 e 10 e hora e dia do lançamento previsto para a Casa das Rosas, em São Paulo. Depois, vamos indo. Vou de avião para Porto Alegre, de ônibus para Curitiba e Sampa e em Sampa pego outro vôo de volta para a Paraíba. Então, com calma, vamos programando outros momentos. E assim vou seguindo em frente com minhas agonias e minhas alegrias - cobertura de creme no que transformo em linguagem e no que a poesia me transforma.


MINICONTO DE MARCELO SPALDING




Maria Helena é virgem desde que o pai sumiu de casa.


(Do livro Minicontos e muito menos, Edições Casa Verde, Porto alegre-RS)

Um comentário:

Batom e poesias disse...

Lau
Quem sabe esse eu compre direto das suas mãos na sua passagem por São Paulo.

Que "o delírio jamais adormece", isso eu aprendi a duras penas.

Boa sorte e bjs
Rossana