eter na mente





milhas e milhas contidas
nos ombros arqueados

sem os ritos do horizonte



era como se fosses
um vento
leve
em plena tempestade



colhendo as folhas secas 
para o abrigo dos pássaros


a vida cumprida aos talhos
na pele desvestida
do tempo

caminho áspero

e sem volta


eterno ir e vir
de luas e sóis


num sumidouro de ecos
do silêncio


(poema vermelho – lau siqueira)


REVISTA SERROTE - Recebi da amiga, poeta e artista visual, Constança Lucas, um belo exemplar da revista Serrote - ensaios, artes visuais, idéias e literatura. Neste número, muito me impressionou o ensaio de Beatriz Sarlo, “O animal político na web”. (“usando a lógica do boato, o twitter e o Face book espelham uma sociedade cuja memória coletiva sofre de Alzheimer.”) Uma reflexão importante para o nosso tempo. Também recebi um belíssimo exemplar do livro O Leque, de Dora Ferreira da Silva que recomendo para uma leitura plena de delicadezas.


EU APÓIO CHICO CESAR! - Todo apoio ao grande camarada Chico Cesar, secretário de cultura da Paraíba, que vem sendo confrontado por trogloditas setoriais apenas por ter defendido com fúria a cultura tradicional nordestina. A postura de algumas pessoas em relação ao Chico nos fazem entender que a diluição dos valores culturais através da indústria do entretenimento é um mal que precisa ser extirpado para que a nossa civilização seja conduzida à plenitude. Esta é uma luta de quem deseja um mundo mais justo, de quem deseja mais humanidade de quem não abre mão da memória coletiva. Chico Cesar merece respeito! A cultura brasileira de raiz, também.

MADEIRA QUE CUPIM NÃO RÓI - No melhor estilo Capiba de viver, vamos em frente. Somos “madeira que cupim não rói”. Estamos munidos de alguns punhados de sonhos e vestidos com o que a arte nos concede. Vamos em frente, empunhando a poesia como quixotes de um tempo de inexistências cósmicas. Cravando o punhal da sabedoria no centro deste deserto de almas compelidas ao escárnio. Estabelecendo a bravura de amanhecer cantando, para que as estrelas iluminem nossos caminhos noturnos... Que o coração permaneça eternamente em brasas! Amém! E boa Páscoa para todos e todas.

POEMA DE DORA FERREIRA DA SILVA


O leque se desdobra
junto à face.
e dança desenhando os traços
no ir e vir de sua pretensão:
ser brisa. Fora, a noite.
Dentro: o teatro se ilumina.


(Poema VIII de O Leque, lirvo-poema Dora Ferreira da Silva, publicado pelo Instituto Moreira sales)

Comentários

Dija Darkdija disse…
Somos madeira ruim, mas nossa casa é da boa! Estamos protegidos na casa da arte, tecendo sempre poesia. Gostei dos poemas, gostei do "estilo capiba"

http://dijadarkdija.blogspot.com

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