Translate

sexta-feira, 6 de maio de 2011

porto de quintana

(para Laís Chaffe e Fernando Ramos)




retorno às ruas de porto alegre
com meu baú de espantos e uma
sensação de eternidade breve


sigo caminhando pelas calçadas
de um tempo que não se perde
dos sentidos ou da memória...


hilário ribeiro cristóvão farrapos
alberto bins otávio rocha rua da
praia praça da alfândega...


o mirante horizontal da esquina
democrática estirando olhares
ao velho e belo mercado público


o cinza imponente e charmoso
da borges de medeiros colhendo
imagens no sumidouro do tempo


pessoas na rua com jeito apressado
de sonhar com as suas imensidões
e suas inexistências cotidianas


vejo nas fachadas antigas aquele
denso olhar de um quintana com
seus passos de sapato florido


foi assim que andei pelas pedras
no meio de uma rua das muitas e
antigas andradas sem praia


então cheguei no antigo majestic
para encontrar o poeta que nunca
deixou o seu quarto crescente


colhi nos olhares o que jamais nos
abandona e descobri que estamos
todos imersos na mesma sinfonia


nos esconderijos do tempo descobri
que ainda sou o mesmo menino que
sonha com o que não existe


percebi que a poesia está no exato
momento em que qualquer lugar é
um eco que não se rende em nós


(poema vermelho – lau Siqueira)


FOI BONITA A FESTA PÁ... FIQUEI CONTENTE! – Acho que algumas vezes os astros conspiram e contra os astros, quem poderá? Pois foi assim o lançamento do meu livro em Porto Alegre. Foi no antigo Hotel Majestic, onde morava Mário Quintana e onde hoje é a charmosa Casa de Cultura Mário Quintana. O movimento era grande por lá. Fui tomar um vinho e, de repente, do meu lado, senta Zeca Baleiro. Conversava com aminha amiga Adriana Bandeira e com Mário Quintana. Sim, ele estava lá. Eu vi o que a poesia me ensinou a ver...

CASA CHEIA... E A LUA ESPALMADA NO CÉU – O lançamento de Poesia Sem Pele inseriu-se positivamente na programação imensa e bela do FestiPoa Literária. No mesmo horário, também com salas cheias, estavam por lá Antônio Cícero, Zeca Baleiro (lançando livro) e Victor Ramil. No teatro também lotado, Antônio Nóbrega. Mas, o Cabaré do Verbo acontecia normalmente no Mezanino, onde foi o lançamento. Li poemas, falei umas bobagens conduzidas pela bárbara emoção de estar ali. E quase tive um choque quando vi uma pequena fila se formando para a minha mesa de autógrafos. Esse espanto faz parte da minha gratidão e dessa alegria submersa em tanta coisa que não cabe em mim...

POESIA SEM PELE – O livro ficou belo. Realmente as edições Casa Verde representam que alguma coisa está mudando na lógica das publicações de poesia no Brasil. O Rio Grande do Sul tem essa tradição. Não canso de agradecer a escritora e amiga Laís Chaffe, responsável direta pela configuração de tudo. Não canso de agradecer ao querido Fernando Ramos, o guerreiro de luz organizador do FestiPoa, por ter me introduzido numa belíssima programação que reuniu também nomes como José Castello, João Gilberto Noll, Lúcia Rosas, Ricardo Silvestrin, Miguel Sanches Neto, Sérgio Napp, Ademir Assunção, Xico Sá, Marcelino Freire, Luis Serguilla e muitos outros.

VAMOS PARA CURITIBA - Dia 10 pela manhã desembarco em Curitiba para um lançamento à noite no local e endereço exposto acima. Também vamos colher a generosidade da poeta Marília Kubota e encontrar companheiros da literatura contemporânea na terra de Paulo Leminski. Aliás, soube que Paulo estará por lá, também. Da mesma forma que Quintana esteve ontem e sempre estará. Porque nossos poetas são eternos nas nossas conspirações com o futuro... E dia 18, vamos para dentro de um manicômio exclamar que de poeta e louco, nos vestimos para sermos o que somos. Por mais humanidade e por mais poesia no mundo!

POEMA DE MÁRIO QUINTANA


- Mas que quer dizer esse poema? Perguntou-me alarmada a boa senhora.
- E o que quer dizer uma nuvem? Retruquei triunfante.
- Uma nuvem? – diz ela – uma nuvem umas vezes quer dizer chuva, outras vezes bom tempo...

(Exegese, poema do livro Sapato Florido, Editoral Globo)

7 comentários:

Jairo Cézar disse...

Todo sucesso é pouco, Lau.
Feliz com as notícias.

MIRZE disse...

Que momento inesquecível, Lau!

Acho que se visse Mário Quintana ou Manoel de Barros, (cuidado para não entrar na lista) me ajoelharia aos pés deles e imploraria por muitas poesias, chuva de poemas e depois poderia morrer. Seria a glória.

Que seu sucesso percorra o mundo, você merece.

Beijos

Mirze

nydia bonetti disse...

Os poetas existem, por que os meninos que foram resistem - e seguem... decifrando nuvens.
bjos, Lau.

Elias Balthazar disse...

Digo que a poesia é o eco do eterno e o eterno é o eco do instante do instante do instante instante...

Wania disse...

Lau querido


Participar deste teu momento tb me encheu de alegria. Ver materializada uma amizade virtual é uma coisa muita bacana, ainda mais naquele lugar mágico que é a Casa de Cultura Mário Quintana.

Imensamente feliz com a tua alegria e por ter o teu livro autografado na minha estante e no meu coração. A edição está um primor e o conteúdo, então, nem se fala, poeticamente liiiiiindo, como tudo que vem de ti, meu amigo!




Lindo o teu Poema, eu conheço bem a anatomia deste corpo, eu conheço esta cidade do meu andar, como bem disse Quintana!


Bj grande e muito sucesso nesta tua estrada.
Com carinho,

Wania

Marilia Kubota disse...

Esperamos você de braços abertos em Curitiba, com o fantasma de Leminski nos assombrando...e assombrando, ainda os poetas locais que ainda temem a sombra dele.

contato - disse...

Amigo Jairo, bom demais contar com vc.

Mirze, vai lá ver o Manoel de Barros! Ele vai achar ótimo, tenha certeza.

Nydia, realmente há algo de infância do mundo no que escrevemos.

Elias, a poesia é um eco eco eco eco...

Wania, coisa boa poder ter te visto, ainda que por um breve instante. Grato pela tua presença.

marília, lá vou eu... Antes de tudo, grato pela sua extrema generosidade. Coragem sua promover um guapo!