sábado, 6 de agosto de 2011

zabelê






no sol cabralizante
do verso existe um elo
e uma rachadura de eixo


( texto e contexto
  no incêndio das
  pálpebras )


linguagem rupestre dum
rio que percorre a palavra
no insano vapor do instante


instinto e lucidez de pedra
no sumidouro da espuma


pluma na fenda da loca e
antropologia num reisado
de olhar cariri


(...e a certeza dos poros
vai bebendo nossos
óleos...)

(poema vermelho – lau siqueira)


POEMAS RUBROS – meu blog Poesia Sim faz parte de um exercício de criação poética. Os poemas vermelhos são criados na medida dos posts. A experimentação, a elaboração, logicamente, vem antes... Aliás, a elaboração vem com o que experimento em sensações e derramo da forma que aprendi a planejar e elaborar meus poemas. Entre um racionalismo sonhado e um sonho racionalizado. Nada é mais carregado de linguagem que a vida. Os livros estão na vida, mas não são podem substituí-la. Os intelectuais são os outros, sempre. Já o blog Pele Sem Pele é do mesmo jeitim, só que com experimentos de análise de obras e de pensamentos sobre o mundo e nossas possibilidades dentro dele.

VIDA MODERNA – Ruth Rocha está organizando pela Editora Moderna uma edição de Poemas para alunos do ensino Fundamental I. Qual não foi a minha surpresa ao ser comunicado que meu poema “Aos predadores da utopia” (sempre ele) seria um dos escolhidos. A edição terá 20 mil exemplares e será distribuída nacionalmente. Um bom recado para os meus procediemntos criativos. Realmente, poesia é o que de melhor podemos enquanto meninos e meninas.

POEMAS PARA CRIANÇAS – No dia do lançamento de Poesia Sem Pele minha neta, Gabriela, cobrou com veemência que eu escrevesse um livro para crianças. Aos predadores da utopia não foi escrito com essa intenção, mas chega também as crianças. De longe, é o meu poema mais lido e mais traduzido. De qualquer forma, não disfarço o prazer de participar de tal publicação. E afirmo convicto que poesia é mesmo para crianças. Não disfarce a sua se quiser entender a profundidade de um poema.

LANÇAMENTO NO ALTO SERTÃO – Dia 27 de agosto estarei lançando o Poesia Sem Pele no Alto Sertão da Paraíba, na cidade de Sousa, terra dos dinossauros. O convite veio do secretário de cultura Ivan Rosendo. Na oportunidade, estaremos também conversando sobre gestão cultural e Sistema Nacional de Cultura. O evento acontecerá no Centro Cultural do Banco do Nordeste em horário ainda a ser confirmado.


POEMA DE MÁRIO FAUSTINO


Quem fez esta manhã, quem penetrou
À noite os labirintos do tesouro,
Quem fez esta manhã predestinou
Seus temasa paráfrases do touro,
As traduções do cisne; fê-la para
Abandonar-se a mitos essenciais,
Desflorada por ímpetos de rara
metamorfose alada, onde jamais
Se exaure o deus que muda, que transvive.
Quem fez esta manhã fê-la por ser
Um raio a fecundá-la, não por lívida
Ausência sem pecado e fê-la ter
Em si princípio e fim: ter entre aurora
E meio-dia um homem e sua hora.

(Prefácio, poema de Mário Faustino em O Homem e sua Hora, Cia. Das Letras)

4 comentários:

♪ Sil disse...

Lau,


Fazia tempo que não passava aqui.
E o tempo, tantas vezes (A falta dele), é algo que ainda não sei lidar.
Mas o bom: Passei aqui hoje, e me banhei de poesia!


PS:
a tristeza
é um
espantalho
mirando
um pássaro.


Assim que sinto tbm. Sem palavras, tão perfeito que é!

Um abraço!

Susanna disse...

Lau,

Sempre é bom voltar a este espaço e ler e encontrar isto: "instinto e lucidez de pedra
no sumidouro da espuma". Sozinha, assim, para mim, a imagem já me faz viajar para outras instâncias de vida. Eis a humanidade a que retornamos com a poesia. Obrigada por ser assim.
Bj!

Vicente Neto disse...

Olá,
gostei muito da maneira que você lidar com as palavras, é muito bom também que tenhamos aqui no nordeste pessoas engajadas na Arte como você, com uma mente crítica usando a poesia como forma de libertação nas pessoas.

Apesar de ser jovem (18 anos)sou escrevedor também, possuo um blog, gostaria que dessa uma passada lá, ficarei grato.

: http://vicentesneto.blogspot.com

Leonardo Dutra disse...

Nobre Poeta Nordestinado,

Os versos fluem dessa veia que jora o cheiro do melaço, do sertão e muitas vezes inebriado pela brisa suave que vem do mar.
E amando em versos vamos dedilhando o som do coração.
Parabéns!
Tornei-me seguidor, aproveito para convidá-lo a me fazer uma visita.
http://dutra-poesiaemmovimento.blogspot.com/

Leonardo de Souza Dutra