desbravata







indiferente
à luz opaca da sala

a vida pulsa desigual
pelas calçadas e campos
onde a humanidade sonha
e espalha o belo e o triste 


o fato midiático é o crime
enquanto a miséria guarda
seus motivos num silêncio
                 de bala perdida




um bolha imagina-se che
numa américa que morre
nas rodas
do degredo sumário


como um sapo singular


(fico quase sem ar)




(lau siqueira – poema vermelho)


POESIA SUMIDA – Escrevo sumido nas tempestades que acumulam-se na história dos livros e que não traduzem o que ainda não foi escrito ou pensado, sequer vivido. Escrevo diluído nas águas que escorrem do olhos, nos atropelos da pressa, num eterno e desmantelado zelo. Escrevo corroído pelas chamas e tiritante no gelo. Em sensações que ao mesmo tempo ampliam e resumem o suor e o ócio. Nas cataratas... nos pingos de uma fonte que não esgota nunca e que não sucumbe ao arenoso e restrito ato de surtar diante do medo.


TRAPICHE – Numa nessas obrigações humanas me deparei mais uma vez com uma realidade extremada. Fui, a trabalho, acompanhar a Defesa Civil, no amparo às famílias que tiveram suas casas incendiadas por um estúpido. Famílias que moravam nas piores condições, num mangue. Homens, mulheres e crianças-caranguejo. Perderam o pouco que tinham. Tudo vida. Tudo linguagem viva. Chegando em casa, escrevi o poema que transcrevo abaixo.


trapiche


a vida que já não era
nada além de um estandarte
das misérias urbanas virou cinza
carvão e fogo intermitente

eram crianças ainda os que mais
sentiam saudades do dia anterior


até bichos da maré comungavam
com as ausências transformadas

e era noite no olho da lua cheia
e chegamos com algumas sementes
de vida imersa
numa esperança
que não se rende



(lau siqueira - poema vermelho)




POEMA DE EDUARDO SAN MARTIN






O tempo tempera e move um único dia
no equilíbrio cotidiano dos planetas
com uma xícara de cansaço a cada década.


(Meditações no éter, do livro O Círculo do Suicida. Cadernos Margem, 1981 – Porto Alegre-RS)

Comentários

Caro amigo,
Estou com um novo blog: CINZAS E DIAMANTES. Já linkei o seu blog nele. Desta vez falo sobre literatura, história, política, comportamento, música, teatro e muito mais.
Apareça! Abraço bom!

Cinzas e Diamantes
Ana Claudia disse…
Gostei, muito,Lau Siqueira. Sinto-me um sapo singular, um café esfriando a cada década. Um abraço pela sua poesia,
Ana Claudia
Bom Dia Lau! Belo blog,gostei imensamente da maneira como vc escreve,e ainda li a Meditação e aja xícara de cansaço.E a Miragem tb ficou mt estupenda.Tenha um bom Domingo.Abraços Meus blogs

http:cantinhodapoesiadalma.blogspot.com

http://encontrodapoesia.blogspot.com


Aguardo sua visita.Ok Nati
Gostei do poema, caro poeta!!!

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