terça-feira, 20 de dezembro de 2011



artéria em pausa


não pintaremos
as bandeiras da farsa
ou da hipocrisia

nem esqueceremos as rimas
dos que trafegam nas palavras
acolhedoras de pior desfecho

não fecharemos os olhos
para o que não pode ser visto
nem deixaremos nossas mãos
alheias ao que germina

as palavras são uma espécie
de coisa nenhuma

as olheiras do sol
não explicam a noite anterior

tudo está posto

sinta o gosto


(lau siqueira – poema vermelho)

III FLIBO, VAMOS LÁ! – Fui convidado para ser o patrono da III Feira Literária de Boqueirão. Então perguntei para a portadora do convite, a escritora Mirtes Waleska Sulpino, o que era ser patrono da FLIBO. Então ela me respondeu que significava defender a FLIBO, divulgar a FLIBO. Então eu aceitei e já começa a circular por aí as primeiras divulgações de um festival literário que acontece no interior da Paraíba pela terceira vez consecutiva, o que é uma notícia ótima. A cultura brasileira tem suas raízes muito bem sustentadas nos sertões e nos pampas, nos cerrados, nas florestas, num mar sem tamanho dentro da mesma história.

BOQUEIRÃO – Boqueirão é uma cidade no interior da Paraíba, nas margens de um açude enorme, em cujas barrancas se almoça um dos melhores peixes por um dos melhores preços.  Uma cidade com cerca de 20 mil habitantes, com uma imensa vocação para a cultura enquanto importante instrumento propulsor da sua economia e do seu desenvolvimento. Na cidade, pessoas querendo mudar o curso da história, emprenhadas pelo futuro. Apoiar uma feira como a FLIBO é uma questão de acreditar que um outro livro é possível. Vamos escrever essa história juntos!

III FLIBO, VAMOS LÁ! – A Feira de Boqueirão começa sua caminhada com olhos de pássaro sobre a pradaria. De 21 até 25 de março, Boqueirão será a capital literária da Paraíba. Por lá passaram escritores como Bráulio Tavares,  Ariano Suassuna e outros. Por  lá os escritores nordestinos, paraibanos, do cariri, de Boqueirão... todos encontram seus espaços. O envolvimento de estudantes é algo a ser revelado para que se consolide a ideia que em Boqueirão o espaço para as políticas públicas de leitura e literatura têm espaço e tempo. Debates, palestras, shows, caminhadas... A FLIBO segue em frente.

POEMA DE CZCESLAW MILOSZ

Um dia tão feliz.
A névoa baixou cedo, eu trabalhava no jardim.
Os colibris se demoravam sobre a flor madressilva.
Não havia coisa na terra que eu quizesse possuir.
Não conhecia ninguém que valesse a pena invejar.
O que aconteceu de mau, esqueci.
Não tinha vergonha ao pensar que fui quem sou.
Não sentia no corpo nenhuma dor.
Me endireitando, vi o mar azul e velas.

(Dádiva, no livro Não Mais. Tradução de Henryk Siewerski  e Marcelo Paiva de Sousa. Editora UNB. )

Um comentário:

urbanascidades disse...

Lau, desejo a ti, teus familiares e todos os visitantes do teu blog um Feliz Natal. Aproveito para informar que dia 02 de janeiro estreia Urbanascidades 2012, igual mas...diferente.
Paulo Bettanin.