mulher

a silhueta em tom
um tanto cinza vai tomando
cor e aproximando o riso
dos passos na calçada
sólida e íngreme

colheu do tempo um certo
abandono depois de fundar
a diversidade e o canto dos
passaredos

na vida e no tempo
estio e miragem
encanto e imagem

coxas abertas
para que os dias e as noites
não se resumam nos poemas
escritos a giz ou carvão

num espelho d’águia
que no silêncio
do canto

escolheu voar
(poema vermelho –lau Siqueira)
MORADA DE ORFEU – Chegaram os exemplares da antologia de poetas do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina na qual tive meus poemas incluídos. Feliz por participar de uma antologia bastante representativa do que é a poesia brasileira em suas mais diferentes regiões. Concordo, no entanto, com Antônio Cândido quando diz que não existem literaturas regionais, mas uma literatura brasileira feita nas mais diferentes regiões. A antologia Moradas de Orfeu, organizada pelo escritor catarinense Marco Vasques, foi lançada recentemente em Florianópolis e será lançada em Porto Alegre e Curitiba neste início de ano.

MORADAS DE ORFEU I – Alguns dos poetas participantes da antologia são bem conhecidos nos meios literários interligados pelas redes sociais e pelo mundo virtual. Entre os nomes conhecidos por mim e pelo país, podemos citar Ademir Assunção, Ademir Demarchi, Beatriz Bajo, Jussara Salazar, Luci Collin, Marcelo Sandmann, Marcos Losnak, Ricardo Corona, Rodrigo Garcia Lopes, Celso Gutfriend, Deise Beier, Diego Petrarca, Jaime Vaz Brasil, Ricardo Silvestrin, Ronald Augusto, Sidnei Schneider, Rubens da Cunha, Vicente Cechelero e outros que somados chegam a 59 poetas publicados em 611 páginas de uma bela edição da Editora Letras Contemporâneas.

MATERNIDADE – Fui desafiado   a escrever poemas sobre maternidade, abordando todas as fases, desde a concepção até o nascimento. esta antologia temática será publicada em Portugal (já escrevi os poemas). Um deles é o que aparece no topo desta página. Os demais, devo ir publicando por aqui, aos poucos. Outras novidades a respeito, serão reveladas aqui. Também aos poucos irei dando uma leve burilada nos versos...

POEMA DE TELMA SCHERER

Um homem é um todo em partes,
partida.
partido: um homem tem muitas certezas.
Não suporta dor de parto.
Tem barba, mau cheiro,
maus poemas.
Os homens gritam, pedem socorro,
mamadeiras,
sussurro e perdas.
Quem há de ser, quem há de vir,
quando a hora assombra?
Até tu, bruto, fugirá.

(Um homem é um oco: um foco em zona indefinida, poema de Telma Scherer, na antologia Moaradas de Orfeu – Letras Contemporâneas, 2011
)

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