quinta-feira, 20 de junho de 2013

PRIMEIRA PESSOA


eu sempre escrevo o último verso
e a partir dele um poema sem começo
e sem pausa só pipoco de sílabas
e letras movediças num pouso
dinossauro
...
não sei dos olhos
mas sei tudo sobre esse olhar
que vai além do que nos sustenta
entre a pele e as nuvens

os dias passam na trapaça e na raça
na couraça e no que embaça
...como tudo que passa

até que a memória se transforma
em poesia

(poema inédito)

POVO NA RUA – Amanhã vou pras ruas com quem vai pras ruas protestar. Com a calma estampada no rosto e uma certeza pra lá de infinita. Longe dos que vão apenas extravasar e buscar ocupar lugares no reino. Amanhã eu caminho para que não exista reino algum. Ainda que a vida seja um cerco. Não levo nada nas mãos. Nem cartaz, nem faixa nem bandeira. Levo apenas minhas mãos vazias e limpas. E um olhar cada vez mais livre caminhando sobre o horizonte. Caminhar por um mundo mais justo é um poema sem palavras que começa no primeiro passo. Em frente!


ASA DELTA


era um imenso oco
envolto em coisa
nenhuma

tecia no olhar
um voo de trêmulas
paisagens

ouvia os pássaros
e cantava com as
cigarras

caminhava lento

no infinito
de um dia
que já vai
indo

(poema inédito)

VANDALISMO POÉTICO – Eu vi as cenas pela televisão. Balas de borracha, armas químicas, porrada sobrando na esquina, pedras voando sem rumo. Na verdade, a rebeldia encontrou-se definitivamente com a barbárie. Alguém esperava uma reação diferente? O estopim está aceso. Que a explosão sejamos nós.

THE END


sempre que
discordo de mim

estou com a razão

só é definitivo
quando o acaso
diz não

(poema inédito)

SUPLEMENTO DE MINAS – Saiu a edição especialíssima do Suplemento Literário de Minas Gerais. “A nova poesia brasileira vista por seus poetas.” Entre os poetas publicados, Carlito Azevedo, Angélica Freitas, Mariana Ianelli, Douglas Diegues, Ronald Polito, Claudia Roquete Pinto, Alberto Pucheu, Mar Becker, Dirceu Villa, Mariana Botelho, Marise Castro e outros. Eu também estou nesta edição de boa representação da poesia feita por mulheres neste nosso país machista.


***

teatro canibal
a lua come as sombras
do quintal


(poema inédito)

Um comentário:

Margarida Rodrigues disse...

Aprecio bastante o seu blog e os seus posts. Sempre que posso tenho visitado o mesmo e delicio-me com o que escreve. Até coloquei na barra de favoritos :)

Espero que continue com o bom trabalho.

Cumprimentos

Margarida Fonseca Dias

www.fichiers-de-france.com