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quinta-feira, 11 de julho de 2013

VIDAS SALOBRAS



entre o acaso e o espanto
caminhamos pelos dias

atravessando distâncias
numa firmeza dissonante

sem identidade ou disfarce
pisoteando sombras

recolhendo as pegadas
para não perder o caminho

(viver é um prumo
em desalinho)

canção medieval numa
modernidade incerta

as portas abertas do inferno
e as gôndolas do paraíso

as plenitudes migratórias
do purgatório e a santidade
do estilo

nosso espelho é um país
em chamas

refletido na grama dizimada
pelo reverso das calmarias

e as tempestades são pássaros
arruaceiros

fugitivos da própria espécie

nenhuma voz cabe no fatalismo
silencioso das heresias

nas tatuagens tribais
de um povo em debandada

todas as multidões
fazem parte deste imenso
vazio

nascente
como o mistério de um rio


(poema recente, escrito ao acaso e refeito ao acaso)

CONJUNTURA LOUCA – Numa conjuntura como esta que vive nosso país e de certa forma o mundo,  tanto a direita quanto a esquerda acham que estão avançando. Mas, na realidade tudo acontece como um vulcão que se releva em chamas mas, busca a solidez das rochas. A disputa é pelo controle do pensamento, pela condição majoritária da existência.

FERNANDO ABATH – Hoje o meu amigo Fernando Abath organizou e promoveu o lançamento do  livro “O SUJEITO (O)CULTO DA EDUCAÇÃO”, na Usina Cultural Energisa em João Pessoa. As pessoas que se interessam pelo debate necessário sobre Educação de qualidade, precisam conhecer este livro. É sobre isso a minha coluna no Jornal da Paraíba do próximo domingo.

LEO BARBOSA – O poeta paraibano estará lançando no próximo dia 3 de agosto, na Estação das Artes (anexo do Estação Ciência), o livro “LUTOS DIÁRIOS”. O prefácio é de Chico Viana e o livro será apresentado por Amador Ribeiro Neto. Surge um novo nome na terra de Augusto dos Anjos, Sérgio de Castro Pinto e outros grandes poetas.

ANDAR POR AÍ


sem placa de sinalização
a vida é algo tão imenso
que não basta encontrar
os melhores caminhos

é preciso que o caminho
escolhido deixe sempre
boas pegadas

seja nas planícies
nos desertos
nas montanhas
nos pantanais e nos
mangues

e que cada vez que 
o corpo cansado do 
amor feito
ou da distância 
percorrida

cada vez que a mente
abra as matas cerradas
do coração

sobre em nossas
retinas a imagem 
do vôo

(e não do pássaro)

porque viver é voar
no abismo infinito
da pele

e na distância entre
os poros e a certeza
que não é nada 
disso

(poema inédito)

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