QUASE HINO



antes que a água se espalhe
pelo chão seco das manhãs
e da poeira ressurjam 
novas sementes


aquelas que resistem
na sola do sapato no fio
da navalha do arado


no eterno taciturno e rígido
jogo da memória desatenta
e o que nasce

depois as raízes as folhas
o fruto e enfim os pássaros 
desvendaram as sombras

aqueles 
que não se completam
nas sobras

porque o deserto é apenas
uma longa distância jamais
um lugar sem saídas

antes que o espelho repita
o que reflete e não destoe
em alguma ruga estanque

a que segura o topo do
abismo o olho do vulcão
nas ternuras escandalosas
que bebem o mar

no que se sente

o que se espalha
pela pele

o que faz com que 
o coração

apele

(Lau Siqueira)

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