SEM PANTIM



Limpar o mato. Varrer o quintal. Plantar
a semente e esperar o pássaro. Abrir a
porta para a tempestade. Colher
o alimento que voa. Cantar para ninar
o silêncio. Sair em direção ao vento.
Apontar e atirar no baque mortal.

Dar beijo na nuca.
Acreditar no que pulsa.

Viver como se o mundo fosse um Parnaso
pós-guerra. Com suas histórias mutiladas 
espalhando lixo pelas calçadas. Bombardeios
de sobras. Baionetas caladas, mas não
mudas. Metade de um quarto na subtração
das coisas escassas.

Mesmo assim as borboletas voam. As cigarras
cantam. As formigas trabalham. Os morangos
envermelham a plantação. Cada vez menos.
Cada vez menos...

Às vezes parece que isso é tudo. Mas, não é.
Viver é um tipo de jardinagem. Do plantio às
colheitas. Sem as marcas do abandono. Uma
linguagem de mascaras invisibilidades.

O cajueiro dá o troco ao machado enquanto
suporta a dor da poda. Produz mais e mais
frutos. Nas chuvas de dezembro é um galho
imenso carregado. O tempo olha pela janela.
Como se não fosse possível esperar o arrebol
com as folhas caindo...
Já falei demais.
Vou indo.

SEM PANTIM

Limpar o mato. Varrer o quintal. Plantar
a semente e esperar o pássaro. Abrir a
porta para a tempestade. Colher
o alimento que voa. Cantar para ninar
o silêncio. Sair em direção ao vento.
Apontar e atirar no baque mortal.

Dar beijo na nuca.
Acreditar no que pulsa.

Viver como se o mundo fosse um Parnaso
pós-guerra. Com suas histórias mutiladas 
espalhando lixo pelas calçadas. Bombardeios
de sobras. Baionetas caladas, mas não
mudas. Metade de um quarto na subtração
das coisas escassas.

Mesmo assim as borboletas voam. As cigarras
cantam. As formigas trabalham. Os morangos
envermelham a plantação. Cada vez menos.
Cada vez menos...

Às vezes parece que isso é tudo. Mas, não é.
Viver é um tipo de jardinagem. Do plantio às
colheitas. Sem as marcas do abandono. Uma
linguagem de máscaras e invisibilidades.

O cajueiro dá o troco ao machado enquanto
suporta a dor da poda. Produz mais e mais
frutos. Nas chuvas de dezembro é um galho
imenso carregado. O tempo olha pela janela.

Como se não fosse possível esperar o arrebol
com as folhas caindo...

Já falei demais.
Vou indo.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

CHAPÉU PANAMÁ