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Mostrando postagens de Junho, 2018

NEGA PINTO

Caminhei. Andei distâncias imensas
e tardias. Caminhos efêmeros,
às vezes. Espalhei pegadas cruzando
lajedos e geadas.
Pés dormentes na brasa ou no gelo.
Todavia, caminhos não são estradas.
Distâncias diluídas onde a dois
palmos e meio o mandacaru
já não é o mesmo.
O caminho pode ser plano.
Ou uma verdadeira escalada.
Outra coisa é a estrada
e suas bifurcações.
Eu caminho pelo tempo.
Horário oficial do Seridó. Onde
a vida às vezes é salobra.
Em Frei Martinho
fiz a antropologia da alma – fui
rezado pela Nega Pinto.
(Nega Pinto é um ser encantador, uma Rezadeira que conheci em Frei Martinho. Fiz um poema pra ela"

APARÊNCIAS

A preço de hoje penso
que perdemos as contas.

Não há nada nas
gavetas.

Apenas aquela nudez na
imensa nitidez da Lua.

O tempo é um garimpo entre
a pedra e a pérola de cada
momento. Destampa os alaridos
e os silenciosos grunhidos dos que
sonham com o espelho jorrando
lembranças...

Na pele da tua espera
tatuei minhas armadilhas.
Escondi todos os medos
debaixo do tapete no qual
voava.

Não costurei as feridas
que tuas mãos cavaram
em mim.
Mas, senti a rigidez das
pálpebras secando uma
lágrima. Havia um epigrama
sob a janela...

ofuscando a retina.


(Lau Siqueira)