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Mostrando postagens de Setembro, 2018

COMBUSTÃO

O que se mostra nu
não é o corpo. Porque
o corpo nu está sempre
escondido debaixo
da pele.
O que se mostra nu
é o avesso.
O que não meço.
O tropeço. O que não
posso, mesmo quando
imerso.
O que se perdeu por dentro
não pode ser exposto. A
menos que a morte aponte
o oposto.
(Eis a vida e seu rosto.)
O que se mostra nu não
é o espírito porque este
nem de pele se veste. É
vento que se espalha
pelo ar. Sem cheiro
de nada.
Apontamentos
apenas...
Daqueles que transtornam,
mas também se derramam.
Como se derramam os
os idílios e as bússolas
da travessia.
Necessárias cordas de fio
afiado. Rapel de caminhadas
íngremes e árduas.
Mensurações do abandono
enquanto lado reverso
da solidão.
O que fica além de nós
é a rua do espanto...
No que era tudo
No que era tanto...
Tenho versos para dizer.
Falo de um silêncio que não
cabe no abismo.
(Lau Siqueira - agosto 2018)