MENTIRAS ÍNTIMAS


Perdi o medo dos abismos.
Não pelo meu porte de asas
em voos vencidos.
Já não me cabem as penas.
Aquele medo de ir na esquina
e nunca mais voltar. Não voltar
não muda nada.
Somos
semente germinada...
Somos o que trafega até o fim
e depois continua, firme.
Sou o que somos.
Somos o que sou.
Sou o que me supera
e o que me separa.
O que permanece no vigor
das coisas frágeis.
Do que não mais transita na
pele. Do que não deixa rastros
e nem faz sombra na romaria
dos mormaços.
Na contramão dos enredos, dos
diapasões e dos medos que
ajudam a caminhar...
E nos permitem perder
o caminho.

Lau Siqueira

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